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Prefeitura de SP define cortes de investimentos até o final de janeiro

Adriana Ferraz e Artur Rodrigues - O Estado de S. Paulo

06 Janeiro 2014 | 15h 16

Em evento, prefeito anunciou começo das obras em dois hospitais e a compra de empreendimento na zona leste; educação e assistência social devem sofrer redução

A gestão Fernando Haddad (PT) deve anunciar cortes da ordem de R$ 4 bilhões em investimentos e obras até o final do mês. A saúde, com a construção de novos hospitais, e os transportes, com corredores de ônibus, devem ser poupados e vão compor o "pacote do bem" da administração municipal, na tentativa de melhorar a desgastada imagem do prefeito. Educação e assistência social estão entre as áreas que devem sair perdendo com o congelamento de verbas.

"A área econômica começa a verificar onde é que vamos ter de adiar investimentos em virtude da falta de arrecadação", afirmou Haddad nesta segunda-feira. Segundo ele, a liminar que barrou o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) afeta mais do que os R$ 800 milhões que seriam arrecadados.

"O maior prejuízo para a cidade é o que deixará de vir da União por falta de contrapartida municipal. Vou dar um exemplo. Se eu não tenho dinheiro para desapropriar terreno para creche, como vou receber dinheiro federal para construir creche, se eu não tenho terreno?", disse, durante inauguração da Rede Hora Certa no Hospital Sorocabana, na Lapa, que deve ser totalmente municipalizado.

No início do ano passado, Haddad congelou R$ 5,2 bilhões, 12,3% do que havia sido previsto pela gestão de Gilberto Kassab (PSD).

Em sua primeira agenda pública do ano, na companhia do provável candidato do PT ao governo do Estado, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Haddad anunciou que novos investimentos na saúde, que incluem só neste ano o início das obras dos hospitais de Parelheiros (zona sul) e Brasilândia (zona norte) e a inauguração do Hospital Santa Marina, na Vila Santa Catarina, na zona sul. Ele também afirmou que a Prefeitura vai desapropriar outro hospital, o Vasco da Gama, no Belém, na zona leste.

"O Vasco da Gama está há quatro anos fechado. O Santa Marina (que foi municipalizado) estava há quatro anos fechado. Esse aqui (Sorocabana) estava fechado e foi reaberto um andar com Atendimento Médico Ambulatorial. Agora, estamos abrindo um segundo andar com a Hora Certa e prospectando os próximos cinco", disse Haddad.

Padilha anunciou ajuda federal. "Em dezembro, assinamos, só para a Rede Hora Certa, um total de R$ 83 milhões", disse o ministro, que deve deixar o cargo já neste mês para concorrer ao governo. "Outro apoio são as UPAs 24 Horas. Por muitos anos, São Paulo não buscou tê-las e, agora, a cidade vai poder ter as UPAs 24 horas, porque o prefeito Haddad apresentou o projeto. São R$ 93 milhões", afirmou o ministro.

Transportes. Nos transportes, a pasta responsável prepara um projeto de 234 km de corredores, 64 km deles devem começar a ser construídos até março, nas Avenidas Radial Leste, Aricanduva e 23 de Maio.

A Prefeitura fechou o ano passado com 300 km de faixas exclusivas. Os corredores, porém, são bem mais trabalhosos e caros. Precisam de licenças, parte delas já emitidas, e projetos executivos. O quilômetro da faixa custa R$ 50 mil, ante R$ 29 milhões do mesmo trecho de corredor.