Prefeitura dá início a projeto de restauração do Monumento da Independência

Vazamentos, infiltrações e ferrugem foram alguns dos problemas detectados; reparos não devem interromper visitas do público

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

10 Janeiro 2015 | 13h40

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo começou a elaborar o projeto de restauro do Monumento da Independência, onde estão sepultados o primeiro imperador do Brasil, Dom Pedro I, e suas duas mulheres, imperatriz Leopoldina e Dona Amélia. Em primeira análise, foi constadado que algumas estátuas estão fora da base, há problemas com vazamentos, água infiltrada em peças e ferrugens. Durante as alterações, as visitas ao público não deverão ser interrompidas.

A elaboração do projeto para restauro das peças do monumento, inaugurado em 1922 em comemoração ao centenário da independência política do País, será feita em duas fases - colheita de informações e análise. A primeira foi realizada nesta semana, com a visita do restaurador francês Antoine François Amarger, especializado em esculturas de metal. Com experiência em trabalhos em museus como Louvre, Picasso e Rodin, Amarger fez visitas ao local para identificar dados primários sobre cada peça.

O restaurador deverá retornar ao País em três semanas, com uma equipe, para realizar a análise. Das duas visitas deverá resultar um laudo que será entregue à Prefeitura, no final de fevereiro, com informações sobre quais partes do monumento precisarão de intervenções. O custo das visitas e do laudo será de R$ 160 mil. Só será possível identificar o custo total e o prazo do restauro após a entrega do documento.

Estudos. Para análise da obra, Amarger fez diversas imagens com auxílio de um drone com câmera - uma espécie de robô com hélices que obedece a comandos por controle remoto. Com isso, foi possível visualizar ângulos até então inéditos no monumento. Com isto, será possível corrigir, por exemplo, eventuais alterações que tenham sido feitas nas peças mais altas. Também foram feitos desenhos que serão adaptados ao 3D para obtenção de mais detalhes.

Nesta primeira etapa, os materiais das peças começaram a ser identificados. O especialista quer entender quais partes são originais e quais foram colocadas com o tempo. "Algumas fabricações são híbridas, algumas foram fundidas e outras acrescentadas no decorrer dos anos", explicou Amarger. Na segunda visita, mais peças serão vistas por dentro, já que o primeiro resultado ainda não foi esclarecedor. Algumas estátuas dispõem de uma espécie de alçapão de acesso, mas em outras há dificuldade para o acesso.

Ele constatou que algumas estátuas estão fora da base, com risco de queda. "Em alguns casos há inadequação do tamanho das esculturas e da base", disse. Esculturas mais próximas ao público são as mais comprometidas, com partes quebradas. No interior das peças, as estruturas de aço estão completamente enferrujadas. Em certos pontos, explicou ele, foram localizadas até colmeias de abelhas.  Outra preocupação foi que, ao fazer uma perfuração na barriga da estátua do cavalo, foi constatado que o interior do objeto estava cheio de água. "Geralmente há um sistema de evacuação de água. É catastrófico conter tanta água (na estátua)", explicou.

Uma das maiores dificuldades é que as peças, por determinação da Prefeitura e do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH), não poderão ser removidas. Qualquer alteração deverá ser feita no local. A perna de um dos personagens da parte superior, com problemas de corrosão, deverá ser removida em partes, por exemplo. O cavalo também deverá ser "aberto" para análise interna. Se implementadas as alterações, a recomendação é que a Prefeitura faça uma manutenção após um ano.

As últimas obras de restauração no monumento foram realizadas há 15 anos. Apesar dos esforços, não foram encontrados registros dos aspectos técnicos das fundições artísticas em metal das faces externas da obra, nem documentos que informassem sobre execução de intervenções nas peças. Em 2008, o DPH contratou o Departamento de Engenharia Química do Laboratório de Eletroquímica e Corrosão da Escola Politécnica da USP, que elaborou um relatório que serviria para construção de um projeto de restauro.

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