Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Prefeitura corta em 35% verba prevista para a Parada Gay

Valor investido neste ano será de R$ 1,3 milhão, contra R$ 2 milhões reservados no ano passado; evento será no próximo dia 7

Victor Vieira, William Castanho e Paula Felix, O Estado de S. Paulo

18 Maio 2015 | 12h25

Atualizada às 21h40
A Prefeitura de São Paulo cortou em 35% a previsão de verbas para a Parada Gay neste ano. O valor investido na edição de 2015 do evento será de R$ 1,3 milhão, ante R$ 2 milhões reservados no ano passado. Para reduzir os gastos, a administração municipal deixou de financiar a feira cultural LGBT, que ocorre dias antes da Parada, e o camarote vip da Prefeitura. 
O Estado mostrou, na semana passada, que outras verbas da festa poderiam ser cortadas. A Parada ocorre no dia 7 de junho, na Avenida Paulista, região central de São Paulo.
O corte de recursos está ligado às restrições orçamentárias do governo municipal. Mas, segundo a Secretaria Municipal de Direitos Humanos, parceira da Associação da Parada do Orgulho GLBT (APOGLBT) na organização do evento, toda a estrutura segue bancada pela Prefeitura, desde a Marcha das Lésbicas, que ocorre no dia anterior, até o show de encerramento. A decisão da Prefeitura de não investir na feira foi criticada pelo diretor e sócio-fundador da APOGLBT, Nelson Matias, na entrevista para apresentação do evento durante a tarde desta segunda-feira, 18.

“Pela primeira vez, não foi dado aporte da Prefeitura para a feira cultural com justificativa de falta de verba. Ainda dependemos de apoio do governo do Estado, que nunca fez isso e não é o seu papel”, disse.
Mais cedo, Alessandro Melchior, coordenador de políticas para LGBT da Secretaria de Direitos Humanos, defendeu a medida. “A Parada Gay atrai muitos turistas estrangeiros, o que gera impostos estaduais e federais. A Prefeitura de São Paulo não vai pagar essa conta sozinha.” A feira será realizada no dia 4, no Vale do Anhangabaú, também na região central. Ela custava entre R$ 300 mil e R$ 400 mil para os cofres municipais. Já o camarote vip, que também foi cortado, saía por cerca de R$ 500 mil.
A Secretaria de Direitos Humanos calculou que o valor economizado com o camarote é suficiente para manter por quase meio ano o programa Transcidadania, que dá bolsas para que travestis e transexuais estudem. “Para nós, o camarote nunca foi essencial.”
O valor que será investido pelo governo estadual no evento não foi apresentado e ainda não está definido, segundo a coordenadora de Políticas para a Diversidade Sexual da Secretaria Estadual da Justiça e da Defesa da Cidadania, Heloísa Alves.
“Todo esse apoio está sendo estudado pela Casa Civil.” Heloísa disse que os dados devem ser divulgados nesta semana.
Durante a entrevista, o presidente da APOGLBT, Fernando Quaresma, falou que a organização desistiu de vender pulseiras para um trio elétrico oficial. “Abortamos a ação.” Segundo a organização, 15 trios já estão confirmados no evento.

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