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Marcio Fernandes|Estadão

Prédio pode substituir comércio em bairros da capital

Vereadores decidirão se liberam construções de até 4 andares em corredores de áreas residenciais

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Adriana Ferraz,
O Estado de S. Paulo

21 Fevereiro 2016 | 05h01

Um novo tipo de uso para imóveis localizados em Zonas Corredor (ZCor) pode ajudar a reduzir o impacto do comércio em bairros residenciais de São Paulo. Até a votação final da lei de zoneamento, prevista para ocorrer nesta semana, os vereadores vão decidir se liberam a construção de prédios baixos, de três e quatro andares, em trechos de vias comerciais que cortam ou margeiam Zonas Estritamente Residenciais (ZERs), como as Avenidas Bandeirantes, na zona sul, e Rebouças, na zona oeste.

A ideia é misturar os tipos de usos previstos para as ZCors, a fim de apaziguar os ânimos entre moradores e comerciantes, que travam uma batalha na Câmara Municipal contra e a favor da ampliação das atividades comerciais pela cidade. Estima-se que os predinhos provoquem menos impacto que restaurantes e bares, por exemplo, já que não preveem valets nem ruído.

A proposta, no entanto, depende de uma mudança polêmica no texto em discussão. Segundo estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), as construções só se tornam viáveis financeiramente se puderam alcançar ao menos 12 metros de altura, ou quatro andares. É aí que está o impasse: o gabarito máximo nas ZCors é de dez metros.

“Estamos estudando essa ideia, que consideramos boa para otimizar os imóveis ociosos dos corredores. O problema é mesmo o limite de gabarito dessas áreas e, de acordo com o bairro por onde passam, a convenção condominial. Há bairros planejados, por exemplo, que não permitem o uso multifamiliar dos lotes. Mas, para os outros, essa solução seria muito interessante”, diz o relator do projeto de lei que revisa o zoneamento, vereador Paulo Frange (PTB).

Quem defende a mudança argumenta que o uso residencial ajudaria a revitalizar corredores degradados e sem vida noturna. Na semana passada, o Estado contou 37 casas para vender ou alugar na Avenida Indianópolis (zona sul), por exemplo. Para o vereador José Police Neto (PSD), só a atividade comercial não recupera a via, que também sofre com pontos de prostituição.

“A tese dos prédios pode ser uma solução definitiva para esse caso e tantos outros, como a Avenida Washington Luís e a Avenida Dom Pedro I. Ela prevê o aproveitamento muito intenso dos lotes, mas sem atividade comercial. Lotes grandes, com característica unifamiliar, ainda têm um custo muito alto e, com a crise, acabam ficando parados”, afirma.

Police Neto usa como exemplo a Rua Sampaio Vidal, no Jardim Paulistano, zona sul. “Se lá, dentro do bairro, os predinhos funcionaram, por que não podem ser levados para fora dos bairros?” Caso não seja prevista no projeto, o parlamentar pretende propor a ideia como emenda ao texto final.

CONSENSO

Para o empresário Diogo Ribeiro da Luz, do Movimento Ame seu Bairro, a tese dos predinhos deveria ser mais trabalhada até a votação. “Acho bastante sensata essa proposta. A Avenida Rebouças, por exemplo, poderia ser melhor aproveitada dessa forma. Existe um equívoco em achar que só o comércio pode recuperar os corredores da cidade”, diz.

Segundo Luz, é preciso ouvir os moradores antes de aprovar uma lei que vai afetar o cotidiano dos bairros. “Em São Paulo, uma região é muito diferente da outra. Não dá para pensar que apenas três tipos de ZCors vão atender a cidade como um todo. Nas ZERs, não dá para liberar tudo”, ressalta.

A tese é defendida também pelo vereador Andrea Matarazzo (PSDB), que tem se posicionado contra os corredores em bairros residenciais.

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