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Preço da passagem de ônibus em São Paulo deve aumentar em 2013

Caio do Valle - O Estado de S. Paulo

28 Dezembro 2012 | 12h 13

Com subsídio e preço do tíquete congelados há quase 2 anos, a Prefeitura prevê que serviço arrecadá cada vez menos

SÃO PAULO - A gestão Gilberto Kassab (PSD), que chega ao fim na próxima segunda-feira, 31, reservou R$ 660 milhões para a Prefeitura de São Paulo pagar aos consórcios e às cooperativas de ônibus da capital no ano que vem. O valor do chamado subsídio é exatamente o mesmo que foi estimado pela Secretaria Municipal dos Transportes no orçamento do ano passado para o exercício de 2012. Com esse "congelamento", aumenta-se a possibilidade de reajuste da passagem de ônibus, que hoje custa R$ 3.

Isso porque o subsídio é um mecanismo usado pelo governo municipal para supostamente equilibrar as contas das empresas responsáveis pelo serviço de coletivos na cidade. Geralmente, quanto maior é o repasse da Prefeitura para os empresários e cooperados do sistema de ônibus, menor é a necessidade de tarifas mais altas. Ou seja, o contribuinte paga indiretamente, por meio da arrecadação de impostos, e não um preço maior na catraca.

Entretanto, o valor da passagem não sobe já há quase dois anos. Com o subsídio e o preço do tíquete congelados por tanto tempo, em teoria o serviço arrecadaria proporcionalmente cada vez menos, levando à necessidade de uma passagem mais cara. Para o exercício de 2011, por exemplo, quando o valor da viagem de ônibus foi fixado em R$ 3 (antes, custava R$ 2,70), Kassab havia orçado R$ 743 milhões para subsidiar empresas e cooperativas de transporte.

Em junho deste ano, por meio da abertura de um crédito suplementar, o prefeito já havia aumentado em R$ 112,5 milhões o repasse aos responsáveis pelo serviço, totalizando em R$ 772,5 milhões o subsídio destinado ao sistema ao longo de 2012.

Críticos dos valores altos do subsídio aos ônibus alegam que os recursos poderiam ser gastos em áreas mais prioritárias da administração municipal, como saúde e educação. Mesmo no setor de transporte, parte do montante poderia se destinar à construção de corredores exclusivos, por exemplo.

A reportagem tentou, mas não conseguiu contato com o próximo secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, para comentar o valor do subsídio nem se ele ainda poderá aumentar no ano que vem. Tatto assume a pasta na próxima terça-feira, 1. O valor de R$ 660 milhões de subsídio já havia sido aprovado pela Câmara Municipal.