Praça do Circo agora será na Vila Guilherme

Há alguns meses, Secretaria da Cultura havia anunciado instalação na Barra Funda

JULIANA DEODORO , CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2012 | 03h05

A Praça do Circo, prevista inicialmente para ser construída na Barra Funda, zona oeste, foi transferida para a Vila Guilherme, zona norte. Uma lona permanente com capacidade para 400 lugares funcionará como teatro da Prefeitura na Travessa Simis. Também serão construídos vestiários e salas de preparação para artistas, banheiros públicos, área administrativa, bilheteria, depósitos e estacionamento de trailers e caminhões.

A mudança foi decidida depois que o Ministério Público Estadual (MPE) enviou ofícios à Secretaria Municipal de Cultura mostrando que era ilegal a construção na Praça Desembargador Washington de Barros Monteiro, na Barra Funda. Já foram investidos R$ 14,8 mil no projeto que, de acordo com a secretaria, será integralmente aproveitado no novo terreno, sem custo adicional. Mas a obra só será entregue no primeiro semestre do ano que vem.

O MPE, no entanto, promete acompanhar o caso. "Quero saber como um projeto feito para uma área pode ser transportado para outra sem mudança", disse o promotor de Habitação e Urbanismo José Carlos de Freitas.

Enquanto isso, tanto artistas de circo quanto a presidente da Associação de Amigos da Vila Pompeia, Maria Antonietta Lima e Silva, responsável pela denúncia enviada ao MPE, comemoram. "Ninguém é contra o circo. Apenas exigimos que não fosse feito ali porque era ilegal. Precisamos de áreas verdes no bairro para melhorar o ar e a drenagem da água", explica Maria Antonietta. "A gente quer o espaço. Se ele é na Barra Funda ou na Vila Guilherme, não importa", completa o presidente da Associação Brasileira do Circo (Abracirco), Camilo Torres.

A Subprefeitura da Lapa diz que ainda estuda o que será feito com a área de 5,7 mil m² na Barra Funda, cujo destino é discutido há 17 anos. Em 1995, o terreno foi doado à Prefeitura como contrapartida de um empreendimento imobiliário. Metade do lote foi preservada como área verde e a outra parte poderia receber obra pública. Em sua gestão, o então prefeito Celso Pitta cedeu essa segunda área ao Museu de Arte Contemporânea da USP, que desistiu de ocupá-la.

Polêmica. Em fevereiro deste ano, a Prefeitura afirmou que havia cedido o local para a Secretaria de Cultura construir a Praça do Circo. O projeto ocuparia todo o terreno na Barra Funda e a área verde seria transferida a outra região do bairro. Segundo o promotor Freitas, porém, a Constituição do Estado proíbe que áreas verdes e institucionais tenham a destinação mudada. Já a secretaria afirma que o projeto foi transferido da Barra Funda para a Vila Guilherme por não ter sido aprovado pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e pela Companhia de Engenharia de Tráfego.

1. O que lhe parece a mudança de endereço da Praça do Circo? A iniciativa é muito bacana, tanto faz a região. Quando eu trabalhava na Funarte (Fundação Nacional de Artes), batalhei um ano para implantar projeto semelhante em várias cidades do interior do Estado, sem sucesso. Com esse projeto, São Paulo vai dar o exemplo de como tratar bem o circo.

2. O circo não vem sendo bem tratado em SP? Nunca nenhuma gestão fez nada pelo circo. Agora, o (secretário da Cultura, Carlos Augusto) Calil está olhando pra gente, com iniciativas como o Palhaçaria, a Academia Piolin de Artes Circenses e inclusão de espetáculos circenses na Virada Cultural.

3. A mudança do local não o incomoda então? Claro que a Barra Funda era um local interessante, mas acho que tem de ter circo em todas as regiões da cidade e é importante que tenha na zona norte também. A região é supercarente de atividades culturais.

4. O circo ainda é alvo de preconceito? Muito, porque é o primo pobre das Artes Cênicas. Nessa polêmica da praça, chegaram a dizer que "maus elementos" invadiriam a Barra Funda. O circo é diversão para toda a família, mas é mais popular e não tem o mesmo prestígio de outros tipos de arte mais intelectualizados.

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