Postes históricos são alvos de vândalos

Apenas no espaço compreendido entre a Praça da Sé e os Largos São Bento e São Francisco, um em cada cinco postes está pichado

Ana Bizzotto, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2010 | 00h00

Parte da história de São Paulo há mais de 81 anos, os postes de ferro fundido são alvos constante de vandalismo. Alguns se tornaram depósito de lixo, outros são usados para ligações clandestinas de energia. Só no triângulo formado pelos Largos São Bento e São Francisco e pela Praça da Sé, 50 dos 326 postes estão sem tampa - que protegem a fiação subterrânea - e 62, pichados.

"Esses postes fazem parte da identidade do centro e, portanto, deveriam ser mais valorizados. O poder público no Brasil é muito bem equipado para fazer obras, mas não para fazer manutenção", avalia Marco Antônio Ramos de Almeida, da Associação Viva o Centro, entidade responsável pelo levantamento.

Em outras vias também sobram exemplos de vandalismo. Na Avenida São João, da Praça Antônio Prado até a Avenida Duque de Caxias, a reportagem identificou 23 postes sem tampa e pelo menos 11 pichados. Uma das unidades furtadas fica em frente à loja onde Douglas Matos trabalha há cinco anos. "Desde que estou aqui, esse poste nunca teve tampa. Sempre passam limpando, mas ninguém nunca veio consertar." Na Rua Boa Vista, dos 20 postes entre o Viaduto Boa Vista e a Ladeira Porto Geral, seis estão sem tampa. Além de acumular lixo, estão enferrujados e com fios desencapados.

Segundo o diretor do Departamento de Iluminação Pública (Ilume), Paulo Candurra, 610 postes, dos 1.560 instalados no centro, estão sem tampa ou com a peça quebrada. Outro crime, menos comum, é o furto do brasão da República que enfeita o modelo.

O Ilume concluiu em março licitação para substituir as tampas furtadas por outras em alumínio, com parafusos antifurto. A Newlux, vencedora da licitação, tem de entregar as peças até 31 de julho. Cada uma custará cerca de R$ 350. "A situação se agravou nos últimos seis anos. A manutenção foi protelada enquanto se discutiam projetos para resolver o problema", admite Candurra.

"Como os postes são artesanais, as peças têm de ser ajustadas uma a uma. As tampas de alumínio são resistentes e mais fáceis de ajustar que as de ferro. Numa segunda etapa, vamos pintar o poste e fazer os reparos necessários", promete.

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