HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Por tarifa zero, alunos da USP podem ter de provar carência

Prefeitura e governo estadual estudam forma de exigir comprovação de renda; objetivo é evitar dar benefício a estudantes de classe alta

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

08 Janeiro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo e o governo do Estado estudam exigir de alunos de universidades públicas uma forma de comprovação de renda antes de conceder a tarifa zero no transporte. O objetivo principal é evitar que o benefício seja estendido a estudantes de classe alta matriculados na Universidade de São Paulo (USP), por exemplo.

“O cara rico, que tem dinheiro, tem de pagar a passagem. A tarifa zero é para quem precisa”, disse nesta quarta-feira, 7, o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto (PT). Segundo ele, o estudante de universidade pública que não for de baixa renda vai continuar tendo direito a pagar meia, mas para alcançar a tarifa zero terá de comprovar que não pode pagar.

A preocupação é fundamentada em dados oficiais. No ano passado, 46,3% dos estudantes que ingressaram na USP declararam renda familiar acima de dez salários mínimos. Do total de novatos, apenas 17% dos alunos afirmaram fazer parte de uma família cuja renda mensal não ultrapassava três salários - na época, R$ 2.034. 

A gestão Fernando Haddad (PT) defende que o benefício da tarifa zero seja concedido a estudantes de renda familiar ainda mais baixa: até R$ 1.550 por mês. Os critérios, porém, só serão conhecidos com a regulamentação da lei que estabeleceu a tarifa zero, ainda sem data para ser publicada.

Tatto afirmou que negocia com o governo estadual uma forma única de exigir essa comprovação de renda a estudantes de universidades públicas - as federais podem ser incluídas nessa lista, além da USP, Unicamp e Unesp.

Nesta quarta, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que já prometeu conceder a tarifa zero também no Metrô e na CPTM, afirmou que pretende enviar projeto de lei para oficializar o compromisso nesta quinta à Assembleia Legislativa. 

Ambas as leis - municipal e estadual - ainda terão de definir se o benefício valerá para bolsistas do Programa Universidade para Todos (ProUni) e para quem participa do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), assim como as regras. 

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