Por coleção, fanáticos caçam ovos de Páscoa

Por coleção, fanáticos caçam ovos de Páscoa

Adultos aproveitam a festa para aumentar a quantidade dos objetos de estimação

Filipe Vilicic, O Estadao de S.Paulo

02 Abril 2010 | 00h00

Na Páscoa, o empresário Renato Carvalho Araujo, de 37 anos, costuma caçar ovos de chocolate com o super-herói Batman estampado na embalagem. Engana-se quem pensa que ele faz isso porque quer agradar um de seus dois filhos, de 14 e 4 anos (que até gostam do homem-morcego).

"Compro para ficar com o brinquedo que vem dentro", confessa o empresário. "Meus filhos no máximo dão uma olhada no item e comem o chocolate." É isso mesmo. Na casa de Araujo, a lógica usual se inverte: ele, o adulto, pega o brinquedinho e as crianças têm de se contentar com o chocolate.

Felizmente - para preservar a sanidade dos rebentos -, o pai não sai por aí dando uma de Batman ou criando lutinhas imaginárias com seus bonequinhos. O batmóvel ou seja lá qual batbrinde vier aumenta a coleção do empresário e lá permanece, como decoração, sem poder ser tocado. Fanático pelo personagem, Araujo junta tudo quanto é item do herói há 20 anos, incluindo a embalagem dos ovos.

Araujo não está sozinho nessa mania. Há um grupo de colecionadores que, como ele, vibram quando chega a Páscoa por ser a época em que garantem mais uma memorabilia na estante. Caso do gerente de marketing Marcus Ramone, que mora em Maceió. Fã de histórias em quadrinhos e de super-heróis, ele costuma comprar ovos com esses temas todo ano. "E tenho dois colegas que fazem o mesmo", diz.

Ramone até dá dicas, em um site especializado em quadrinhos, das melhores opções de cada Páscoa. "No ano passado, por exemplo, teve um da série Guerra nas Estrelas que foi muito cobiçado por fãs."

Fanatismo. O paulistano Marcelo Forchin, presidente do fã-clube Conselho Jedi de São Paulo, é um dos que compraram os ovos da saga. "Nem todos que quiseram, porém, conseguiram os ovos", recorda. "Eles desapareceram rapidamente das prateleiras", diz.

Dentro de cada um vinha um card da série. "Comprei três ovos e felizmente vieram cartões diferentes", comemora Forchin. "Ainda ganhei outro de um amigo, que tinha um repetido."

Quem é colecionador garante que essa caçada aos ovos vale a pena. "É gratificante conseguir uma peça nova para a coleção", explica o dentista Rodrigo Moreno, também fã de Guerra nas Estrelas. "Colecionar ainda é uma mania terapêutica e nos aproxima de pessoas que têm interesses parecidos." Moreno já foi até escolhido como padrinho de casamento de um dos amigos que fez no mundo dos colecionadores de memorabilia.

Comércio. Para alguns, o fanatismo dos caçadores de ovos vira negócio. Assim é para o empresário Marcelo Patti, que tem uma loja no centro onde vende brinquedos usados. Na vitrine, há itens que vêm nos ovos. "A procura maior é pelos da marca Kinder", conta. Lá, os itens são vendidos até por R$ 20 - muitas vezes mais que o preço de um ovo no mercado.

Os colecionadores também fazem negócios, principalmente pela internet. "Troco, compro e vendo", diz a engenheira Patricia Jardim, de 54 anos. Em sua estante, ela guarda brindes de Kinder Ovo e bonecos de desenhos animados "fofinhos", como Ursinho Puff e Procurando Nemo. "Já fiz negócios com alemães, ingleses, franceses, italianos." Na Páscoa, ela fica atenta às novidades e, se há algo interessante no supermercado, não hesita em comprar.

Orgulho. "Minhas duas filhas achavam essa mania um pouco ridícula", lembra Patricia. "Mas, agora, quando veem a coleção na parede, bem bonita, têm até um certo orgulho." A engenheira começou a juntar os brinquedos quando as filhas eram crianças (hoje, elas têm mais de 20 anos). "Comprava fingindo que era para elas", recorda. "E quando não quiseram mais, guardei todos para mim e, a partir de então, não parei mais de colecionar."

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