Poluição do ar é a mais baixa em 15 meses; Pinheiros tem maior redução

Para especialistas, condições climáticas e a redução do tráfego de caminhões, por causa do Rodoanel, contribuíram para a melhoria

Eduardo Reina e Renato Machado, O Estado de S.Paulo

27 Abril 2010 | 00h00

A poluição na cidade de São Paulo diminuiu nas duas primeiras semanas de abril, segundo medição da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Desde janeiro do ano passado, o ar na capital não registrava poluição por emissão veicular num nível tão baixo. Em março de 2009, o nível de monóxido de carbono atingiu registro médio de 1,2 parte por milhão (ppm), ante a média de 1,4 das duas semanas iniciais de abril.

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Já o ozônio manteve tendência de alta em dez das 14 áreas medidas na Região Metropolitana. O maior registro de diminuição ficou em Pinheiros, que caiu 10% de março para abril, voltando a níveis do início do inverno de 2009. Uma das causas apontadas para a melhoria é o trânsito menor na Avenida dos Bandeirantes e também na Marginal do Tietê. No primeiro caso, caminhões passaram a utilizar o Trecho Sul do Rodoanel; no segundo, houve ampliação das pistas, o que teria diminuído, em tese, a concentração de poluentes.

Os especialistas também apontam as condições climáticas como fator que contribui para a melhoria do ar. O tempo mais úmido ajuda a "lavar" o ar, oferecendo melhores condições de dispersão dos poluentes. O mês de abril foi um dos mais chuvosos da história. No entanto, não se pode atribuir unicamente ao clima a melhoria. Houve nos três primeiros meses do ano quase 50 dias seguidos de chuva e, mesmo assim, os níveis de poluição aumentaram no período.

O bairro que mais sentiu esses efeitos positivos no ar foi Pinheiros, na zona oeste, que baixou 46,8% o nível de partículas inaláveis (fuligem). Na Avenida dos Bandeirantes (com medidores localizados no Aeroporto de Congonhas), a redução foi de 28,2%; e a região de Cerqueira César, no centro, registrou redução significativa, de 26,9%.

Benefícios. Já a concentração de monóxido de carbono, também emitido pelos escapamentos, baixou mais em Cerqueira César, de 1,0 para 0,7 partícula por milhão (ppm), uma diferença de 30%. O Ibirapuera vem em segundo, com 28,5% - de 0,7 ppm para 0,5 ppm. E a Avenida dos Bandeirantes diminuiu 13,3% (de 1,5 ppm para 1,3 ppm).

Entretanto, a Cetesb alerta que ainda é cedo para se comemorar uma evolução positiva nos níveis de poluição atmosférica por causa da emissão veicular, pois na medição dos níveis é preciso considerar variáveis como temperatura, umidade do ar, chuvas, frio etc.

O deputado estadual Orlando Morando (PSDB), da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa, entende que a partir de 1.º de abril a redução de poluentes registrada nas estações da Cetesb tem relação direta com a grande quantidade de caminhões que deixou de passar pela Avenida dos Bandeirantes para utilizar o Trecho Sul do Rodoanel. "Estão deixando de cruzar a cidade para utilizar o Rodoanel. Isso dá um ganho muito grande na qualidade do ar."

Avaliação. O gerente do Departamento de Qualidade Ambiental da Cetesb, Carlos Komatsu, destaca que a análise dos registros e medições deve continuar por mais tempo, antes de se concluir que o Trecho Sul e as novas pistas da Marginal do Tietê têm influência direta na redução dos níveis de poluentes. "Com certeza há um reflexo imediato com a retirada de veículos pesados, mas também estão associados outros elementos (fatores meteorológicos)", explica. "Mas é difícil dizer que as obras, em 15 dias, fizeram baixar os níveis", conclui o gerente da Cetesb.

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PARA LEMBRAR{TEXT}

Em 2009, o ozônio e o material particulado foram os poluentes que mais comprometeram a qualidade do ar no Estado de São Paulo. O padrão de qualidade do ar esteve abaixo dos níveis aceitáveis durante 57 dias no ano passado, ante 49 em 2008, segundo dados do Relatório de Qualidade Ambiental 2010 da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

O documento mostrou também que no ano passado houve estabilização na concentração média anual de materiais particulados (a popular fuligem). Mas manteve-se patamar elevado: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o material particulado é um poluente que traz riscos à saúde em qualquer nível de exposição.

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