Político perdeu 5 eleições após ''passarinhada''

Nivaldo Orlandi, ex-prefeito de Embu (SP), que assou passarinhos

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

03 Março 2011 | 00h00

O menu era de dar água na boca: passarinhos no espeto, assadinhos na brasa, com cebola, pão e farofa. O churrasco de tico-ticos, rolinhas e sabiás - que ganhou a alcunha de "passarinhada" - aconteceu em 1984 em Embu, na Grande São Paulo. E a imagem dos bichinhos na brasa persiste ainda hoje na cidade.

"Minhas vitórias na administração ninguém lembra, mas da "passarinhada" ninguém esquece", lamenta o ex-prefeito Nivaldo Orlandi, responsável pela festa e pelo inusitado cardápio. Na época, a polícia ambiental invadiu o evento e acabou com a comilança. O episódio ganhou proporções de crime ambiental e Orlandi viu o fim do almoço e também de sua carreira política.

Depois da "passarinhada", o político candidatou-se cinco vezes. Perdeu todas. Um desempenho pífio para quem fora duas vezes prefeito e outras duas vereador. "Foi um linchamento. Meus opositores não tinham como me atacar e me transformaram em vilão." Para tentar outros voos, Orlandi mudou o endereço eleitoral para Curitiba, no Paraná, onde coordena o diretório regional do PDT. "Ainda estou na luta."

Aos 55 anos, é dono de uma escritório de contabilidade e faz consultorias. Diz que sempre teve consciência ecológica, mas mantém os argumentos a favor do churrasquinho. "É um costume no Sul do País. O passarinho é uma praga lá."

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