Policial: ‘Todo mundo tem de pagar’

Colunista do Estado relata repressão policial durante protesto contra aumento da tarifa do transporte público em São Paulo

Vanessa Barbara, O Estado de S. Paulo

10 Janeiro 2015 | 15h31

Estávamos na rabeira da manifestação contra o aumento da tarifa, que reuniu cerca de 5 mil pessoas em São Paulo. Depois de sair do Teatro Municipal, o protesto seguiu pela Rua da Consolação rumo à Paulista. Na altura do cemitério, começamos a ouvir bombas sendo arremessadas lá na frente, e muita fumaça. Boa parte dos manifestantes correu para as ruas laterais, a fim de fugir do gás. A turma do fundo continuou parada, segurando uma faixa comprida.

Havia um cordão de policiais bem atrás de nós, fortemente armados, que se colocaram a postos. Levantei as mãos diante deles e disse que ninguém estava fazendo nada ali – o grupo que restou naquele trecho era composto basicamente por pessoas caminhando. Pedi calma. Ainda assim, eles atiraram bombas de gás contra nós. Enquanto fugíamos pela calçada, um policial mirou e lançou duas granadas de gás aos nossos pés – entre os presentes, uma senhora de 60 anos que por acaso é minha mãe.

Também atiraram uma bala de borracha no cotovelo de uma socorrista e três bombas em um homem de muletas que tinha uma perna só.

Enquanto corríamos pelas ruas laterais, víamos tênis e chinelos pelo caminho – deixados para trás pela multidão em fuga. Vi muros pichados, lixos pegando fogo e uma vidraça de banco quebrada.

Um policial justificou a ação dizendo que “infelizmente, meia dúzia de vagabundos começa a quebrar e aí todo mundo tem de pagar”. Incluindo manifestantes pacíficos, socorristas, jornalistas, idosas e deficientes físicos que em nenhum momento representaram perigo para as forças da ordem.

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