1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Policiais são acusados de tortura a gesseiro em Sorocaba

- Atualizado: 20 Março 2016 | 18h 25

Caso aconteceu em 16 de fevereiro, mas só foi denunciado depois que a vítima saiu do hospital

SOROCABA – Três policiais militares estão sendo acusados de torturar um gesseiro que demorou a parar a moto após uma abordagem na Vila Barão, zona oeste de Sorocaba. Eles foram afastados do policiamento nas ruas depois que moradores apresentaram um vídeo em que o gesseiro é agredido, enquanto implora por socorro. O vídeo mostra que os policiais usaram gás de pimenta e lançaram uma bomba contra moradores que filmavam a agressão. O celular de um deles foi quebrado.

O caso aconteceu em 16 de fevereiro, mas só foi denunciado depois que o gesseiro Roberto Rodrigues Nunes, de 27 anos, saiu do hospital, após ficar 12 dias internado com fraturas nas costelas, nariz e maxilar. Ele contou que seguia de moto para casa à noite pela Rua MMDC, quando um carro deu sinal de luz. Ao ver que os ocupantes do veículo estavam com armas, ele acelerou até um ponto mais claro da rua e parou a moto. Os policiais mandaram que se deitassem no chão e começaram o espancamento. Como o local era próximo de um bar movimentado, os PM colocaram o gesseiro na viatura e o levaram até um ponto escuro da rua, onde o espancamento continuou.

Os gritos de socorro do rapaz acordaram os moradores que saíram para a rua e passaram a filmar as agressões. Foi quando um dos policiais se dirigiu ao grupo, quebrou o celular de um deles e usou gás de pimenta para afastá-los. Como os moradores insistiam na filmagem, o policial lançou uma bomba de efeito moral contra eles. Segundo a vítima, os policiais alegavam que sua moto era furtada. Depois, tentaram obrigá-lo a confessar que estava com drogas e um revólver. Como ele negou, voltou a se agredido. Os espancamentos duraram cerca de três horas. No início da madrugada, ele foi deixado em frente à casa dos pais com a ameaça de que, se denunciasse as agressões, iriam “buscá-lo até no inferno”.

Com base na denúncia, o delegado do 9.o Distrito Policial, André Moron, pediu ao comando do 7.o Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM/I), que forneça a identificação dos policiais suspeitos. Assim que receber os laudos dos exames de corpo de delito no gesseiro, o delegado vai abrir inquérito por lesão corporal dolosa, tortura e abuso de autoridade.

A Polícia Militar informou que os policiais foram afastados imediatamente após a denúncia. Um inquérito policial militar foi aberto e o resultado será remetido para a Justiça Militar Estadual. Também foi aberta investigação administrativa para apurar desvios de conduta dos policiais que, se confirmados, podem levar a punições e até à expulsão da PM.

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em São PauloX