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São Paulo

Morais

Policiais não entregam arma usada para matar vigia na zona leste de SP

Homicídio aconteceu em perseguição e os PMs, que tentaram forjar um atropelamento em Sapopemba, alegam que o tiro foi acidental

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Alexandre Hisayasu,
O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - A arma usada por policiais militares paulistas para matar o vigia Alex de Morais, assassinado por engano durante uma perseguição, ainda não apareceu. O Ministério Público Estadual (MPE) considera que a pistola calibre 380 usada na ação é uma prova muito importante para incriminar os dois PMs acusados pelo crime.

Morais foi morto na madrugada de 11 de outubro, em Sapopemba, na zona leste da capital paulista. Ele desceu do ônibus e caminhava para casa, depois de trabalhar como vigia de uma casa noturna na zona oeste, quando dois rapazes em uma moto passaram por ele em alta velocidade. Em seguida, um dos policiais que os perseguia atira de dentro da viatura e o disparo acerta a nuca de Morais. A sequência foi gravada por câmeras de segurança do bairro.

Segundo as investigações, os policiais José Rogério de Souza e Paulo Rezende da Silva registraram o caso inicialmente como atropelamento. Os primeiros socorros prestados ao vigia levaram a informação dos PMs em consideração. Morais morreu no hospital, mas, durante o exame necroscópico, os legistas encontraram parte do projétil calibre 380 na nuca da vítima. “Eles (PMs) induziram todos a erro: bombeiros, médicos, todos que prestaram atendimento para tentar salvar o rapaz”, disse o delegado Luiz Marturano à época.

Os PMs entregaram três pistolas da corporação para perícia. Mas, depois que a farsa foi oficialmente revelada, os policiais admitiram que o tiro foi disparado com uma arma particular do PM José Rogério de Souza, que confessou que atirou no vigia por engano. Durante as buscas, uma pistola 380 foi apreendida.

No entanto, o laudo assinado pela perita criminal Miriam Garavelli afirma que “quatro armas de fogo foram encaminhadas: três são de calibre ponto 40 (da PM) e uma de calibre 380. O exame de confronto balístico restou (resultou) negativo. Ou seja, aquele projétil não foi disparado por nenhuma das quatro armas em tela”.

Sem mudança. Para o promotor Tomás Busnardo Ramadan, responsável pelo processo, a ausência da arma usada no crime não muda as convicções da promotoria. Segundo ele, há provas materiais de que os policiais atiraram e tentaram montar uma farsa para escapar das acusações. Sobre o fato de o PM ter usado uma arma particular no caso, ele afirmou que “infelizmente, maus policiais têm se utilizado desse recurso para cometer outros crimes”. “Seria importante criar mecanismos para coibir isso.”

Os dois PMs foram denunciados por homicídio doloso qualificado. A juíza Débora Faitarone, presidente do 1.º Tribunal do Júri da capital, aceitou a denúncia e decretou a prisão preventiva dos agentes.

Os advogados dos acusados não foram localizados. Em depoimento, os PMs afirmaram que, durante a perseguição aos rapazes, a arma disparou acidentalmente.

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