Polícia procura adolescente acusado de matar homossexuais

N. já tinha sido condenado à pena de internação por matar o empresário Valdinei Rocha com 16 golpes de faca em 2013

Chico Siqueira, Especial para O Estado

03 Abril 2014 | 17h14

ARAÇATUBA- A Polícia Civil de Agudos, no interior de São Paulo, procura um adolescente de 17 anos que matou dois homossexuais e se preparava para matar um terceiro nos próximos dias. O adolescente N. A. R. fugiu após a polícia encontrar o corpo de uma de supostas vítimas, Igor Alves, de 15 anos, morto a facadas, em um reflorestamento de pinus, na zona rural da cidade.

Igor, que vivia com os avós em Agudos, estava desaparecido desde sábado, 29 de março. A polícia suspeitava de sequestro e o pai do garoto, que mora em São Paulo, chegou a distribuir fotos do filho em Agudos e cidades próximas, na tentativa de localizá-lo.

Nesta quarta-feira, 2, porém, a polícia prendeu outro adolescente, D. S. T., de 15 anos, que confessou ter participado com N. da morte de Igor. "Esse menino nos contou que N. só matou Igor porque este era apaixonado por ele", descreveu o delegado titular de Agudos, Jader Biazon.

"D.S.T. também nos contou que o criminoso pretendia matar outro adolescente de 15 anos antes que a polícia localizasse o corpo de Igor", acrescentou o delegado. "Nossas equipes constataram que realmente N. estava aliciando o menino, que inclusive não estava mais indo à escola". Segundo Biazon, o Juizado decretou a internação dos dois adolescentes acusados pelo crime, mas N. conseguiu fugir.

Antes de Igor, N. já tinha sido condenado à pena de internação por matar o empresário Valdinei Rocha, de 56 anos, dono de fábricas de toldos e coberturas. Rocha, que segundo Biazon, era homossexual e teria tido um relacionamento com N., foi morto em 17 de março de 2013 com 16 golpes de faca. Assim como na morte de Igor, N. levou um amigo para praticar o crime, de 18 anos, que está preso.

O adolescente foi condenado a cumprir internação com prazo indeterminado, da qual deveria ser liberado só depois de completar 18 anos. "No entanto, o Tribunal de Justiça (TJ) reformou a sentença em semiliberdade, o que o possibilitou que ele conhecesse Igor e tramasse o crime", contou o delegado. No dia 27 de março, o Juizado de Menores de Marília libertou N. extinguindo a pena de semiliberdade. Dois dias depois, segundo a polícia, ele mataria Igor.

Nenhum dos adolescentes tinha passagens pela polícia, com exceção de N., cuja única passagem era pela morte do empresário.

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