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Polícia prende suspeito de depredação de concessionária de luxo

O Estado de S. Paulo

02 Julho 2014 | 09h 56

O mecânico João Antônio Alves de Roza foi detido nesta quarta-feira, 2. Vandalismo ocorreu em 19 de junho durante ato do MPL

Atualizada às 21h03

SÃO PAULO - O Departamento Estadual de Investigação Criminal (Deic) prendeu nesta quarta-feira, 2, o quarto manifestante acusado pelo Estado de ser black bloc, desde a manifestação contra a Copa do Mundo, na abertura da competição, no dia 12 de junho. Pela primeira vez, a polícia usou um mandado de prisão para deter um ativista.
Pela manhã, o motorista de lotação João Antônio Alves Roza, de 46 anos, foi preso pelo Deic em São Mateus, na zona leste de São Paulo. Ele é acusado de associação criminosa e dano ao patrimônio. Segundo a polícia, Roza incitava atos de vandalismo durante manifestações. Ele foi flagrado por cinegrafistas atirando um extintor contra a fachada de vidro de uma concessionária da Mercedes-Benz, no dia 19 de junho, em Pinheiros, na zona oeste.
Após a dispersão de um ato em comemoração de um ano da revogação da tarifa convocado pelo Movimento Passe Livre (MPL), grupos depredaram bancos e comércios no bairro. Na concessionária, 12 carros de luxo foram danificados. O prejuízo da loja foi de cerca de R$ 3 milhões. “(Chegamos ao acusado) Pelo Facebook. Ele postou a foto com o filho, muito inteligente, usando o mesmo boné que aparece quebrando as coisas”, ironizou o delegado Wagner Giudice, diretor do Deic.

Felipe Rau/Estadão
Loja estimou prejuízo de cerca de R$ 3 milhões com 12 carros danificados

“Ele fala muito pouco. Disse que se juntou ao movimento porque tomou conhecimento pelas redes sociais”, afirmou. Segundo o delegado, Roza foi entregue por outros ativistas. “Obviamente ele foi delatado por alguém do próprio grupo.”
Roza era monitorado pela Polícia Civil desde o dia 12 de junho, quando, sem máscara, é filmado por investigadores arrancando uma faixa de um trabalhador do Sindicato dos Metroviários, no protesto na abertura da Copa do Mundo no entorno da Estação Tatuapé do Metrô.
De acordo com Giudice, o motorista era um dos líderes de um grupo de manifestantes presentes no protesto que tinha o intuito de depredar. Neste mesmo dia, o ajudante-geral Henrique Lima da Silva, de 19 anos, que destruiu lixeiras com chutes, também foi preso.
Na casa de Roza, a polícia apreendeu dois bonés e duas jaquetas (ele vestia as peças nas imagens feitas nas duas manifestações), além de dois produtos eletrônicos furtados de uma casa em Mauá, no ABC paulista, no dia 20 de abril.
Giudice informou que o motorista tem passagens por receptação de produto roubado, formação de quadrilha e porte de arma. Em 2008, segundo o Deic, Roza também respondeu por pedofilia, após filmar e publicar na internet imagens onde aparece fazendo sexo com uma menor de idade.
Perfil. “O inusitado deste rapaz é a idade. Ele não tem o perfil dos outros que foram abordados pela Polícia Militar”, afirmou Giudice. Roza não tem formação superior como outros ativistas que estão sendo investigados pelo Deic. “Ele é motorista de van de uma cooperativa”, disse o delegado.
A polícia pretende encontrar outros adeptos da tática Black Bloc no computador do preso. Giudice disse que Roza admitiu ter praticado atos de vandalismo. Roza negou em depoimento que o notebook e a câmera tenham sido furtados. O acusado está preso temporariamente. A polícia vai pedir a prorrogação da prisão e que ela seja revertida em provisória.
No dia 23, o Deic prendeu em flagrante o técnico laboratorial Fábio Hideki Harano, de 26 anos, e o professor e ex-PM Rafael Marques Lusvarghi, de 29, após um protesto na Avenida Paulista. Eles também são acusados de ser black blocs.