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Polícia prende no ABC Paulista um dos líderes do PCC

Rafael Italiani - O Estado de S. Paulo

22 Agosto 2014 | 09h 18

Márcio Vital dos Santos, conhecido como Tucano, foi detido em operação da Delegacia Seccional de São Bernardo do Campo

Atualizado às 21h07

SÃO PAULO - A Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta sexta-feira dois criminosos que a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) afirma serem da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), liderando de fora das unidades prisionais ações da facção no Estado e no País.

Durante a manhã, policiais cumpriram mandados de prisão em Santo André contra Márcio Vital dos Santos, de 36 anos, conhecido como Tucano, e em Osasco, na Região Metropolitana, para prender Alexsandro Gerônimo, de 34 anos, o MK.

Segundo Carlos Alberto da Cunha, titular da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise), a dupla ocupava cargos de "sintonia fina nacional", representando os interesses de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo da facção.

Os dois eram as autoridades do PCC na rua e davam ordens para o restante da facção. "O cargo deles nasceu para aliviar o comando preso. Eles ganharam autonomia e em uma série de ações não tinham necessidade de se reportar. Como a comunicação estava exígua, eles tiveram a necessidade de ampliar os poderes na rua", explicou.

Os cargos nasceram por causa de medidas do Estado, como bloqueadores de celular e escutas, que dificultaram a comunicação entre os criminosos. Outras 23 pessoas foram presas na operação desta sexta. Também foi fechada uma autoescola que emitia carteiras de habilitação falsas. A investigação começou em 2013, quando 40 pessoas foram presas.

Vital e Gerônimo ascenderam na facção há seis meses, com a implementação dos bloqueadores. "O grande forte da facção é a comunicação. Entendemos que, pela atuação e repressão constante com bloqueadores, a tendência é que a organização se enfraqueça", disse Cunha.

O secretário estadual da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, classificou a ação da Polícia Civil como "um duro golpe na facção". Cunha acredita que os líderes presos não são de fácil substituição. No entanto, ainda há outros líderes do PCC foragidos e no exterior, comandando o tráfico de drogas. A facção tem integrantes no Paraguai. / COLABORARAM MARCELO GODOY E FELIPE CORDEIRO