Polícia importa técnicas antiterror e robô de R$ 500 mil

A Gendarmerie Nationale, da França, deu aulas de como agir em caso de sequestro de avião e trens no Estado

O Estado de S.Paulo

11 Maio 2014 | 02h15

Os preparativos da Polícia Militar para garantir a segurança na Copa do Mundo contra ataques terroristas começaram nos últimos quatro anos e vão terminar com grande operação simulada no próximo dia 19, quando o comando especial para a Copa entrar em prática. Como para a polícia brasileira atentados estão longe da realidade, técnicas tiveram de ser "importadas".

Membros da Gendarmerie Nationale, força armada policial francesa semelhante à PM, deram aulas de como, por exemplo, agir em caso de sequestro de aviões e vagões de trem.

A vinda de 32 seleções ao País foi também uma oportunidade para reaparelhar a corporação e estrear equipamentos. A cavalaria da PM recebeu "armaduras" para os montadores e os cavalos. Até então, eles atuavam desprotegidos nos atos.

O Grupo de Ação Tática Especial (Gate) da PM dobrou os equipamentos para desarmamento de bombas, incluindo um segundo robô para realizar as operações, avaliado em R$ 500 mil, entregue pela Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (Sesge), ligada ao Ministério da Justiça. As aquisições incluem trajes antifragmentos, aparelhos de raio X e braços mecânicos.

Como o Gate ainda está centralizado na capital, uma parceria com a Polícia Federal vai permitir as vistorias e os chamados de urgência em todo o interior do Estado. "Ônibus de delegações, hotéis, centros de treinamento e estádio precisam passar por uma varredura", disse o capitão Ricardo Folkis.

"O Brasil não tem uma tradição de causadores de eventos críticos", afirmou o capitão Sérgio Marques, porta-voz do Comando de Policiamento da Copa, que terá um efetivo 4.265 policiais militares. O Comando da Copa será o responsável também pelo patrulhamento de festas durante os jogos.

Segundo o capitão, os grandes ataques são causados por pessoas "emocionalmente perturbadas, criminosos comuns e terroristas". "De criminoso comum está cheio o Brasil e emocionalmente perturbado também. Mas a polícia não pode estar despreparada em nenhum momento em caso de terrorismo", afirmou Marques.

Parte do efetivo mobilizado para Copa é de cadetes recém-formados e alunos da Escola de Sargentos. Segundo Marques, não houve exatamente um treinamento diferenciado - apenas os setores especializadas, como o Gate e a Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam), responsável pelas escoltas, tiveram simulações e cursos extras.

Delegações. Toda a segurança das delegações será feita pela PF. Os federais ficarão encarregados de preservar as comitivas de autoridades estrangeiras. Batedores das PMs poderão auxiliar nos deslocamentos. Ficará a cargo do Itamaraty definir quais grupos de autoridades precisam de segurança.

As 12 cidades-sede do Mundial terão, cada uma, um centro integrado de monitoramento - a sala NOC (da sigla em inglês para Centro da Rede de Operações). É um espaço pensado para compartilhar informações. "Cada cidade-sede montou a sala NOC de acordo com suas necessidades. Algumas foram financiadas pelos governos estaduais, outras pelos municipais, outras pelo federal. A proposta é que sejam centros de integração", disse o delegado federal Guilherme de Castro Almeida. / B.R. e LUCIANO BOTTINI FILHO

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