Polícia Civil investiga possível abuso da PM contra manifestantes

Segundo boletim de ocorrência registrado após 1° ato contra a tarifa de ônibus em SP, detidos relataram sofrimento moral e agressões

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2015 | 21h12

SÃO PAULO - SÃO PAULO - A Polícia Civil investiga uma possível prática de tortura e abuso de autoridade de policiais militares contra manifestantes detidos no primeiro protesto do Movimento Passe Livre (MPL), na semana passada, conforme informou o portal R7. O Estado apurou que o inquérito policial já foi aberto, mas os oficiais ainda serão ouvidos e poderão ser indiciados.

Segundo informações do boletim de ocorrência, alguns manifestantes teriam sido amarrados pelos punhos com uma tira de plástico e o ônibus da PM, encarregado de transportar ao menos 51 detidos para o 78º Distrito Policial (Jardins), teria demorado cerca de três horas para chegar à delegacia. Os detidos também afirmaram que "ficaram sob a guarda dos policiais, tendo sido submetidos a intenso sofrimento moral" e que "alguns manifestantes teriam sido agredidos por policiais militares, sendo-lhes requisitado exame de corpo de delito", diz o registro.    

Ao todo, dois policiais militares e 36 manifestantes constam como "partes" no boletim. Além de abuso de autoridade e tortura, dos policiais, também serão investigados delitos de incitação ao crime e desacato, possivelmente praticados pelos manifestantes.

Por sua vez, os PMs afirmaram que acompanhavam o protesto, quando foram ofendidos por manifestantes na Rua da Consolação, na região central, que passaram a "arremessar pedras, garrafas e sacos de lixo contra eles, bem como incitar os demais à prática do crime". Também afirmam que ocorreu uma "certa demora" na apresentação dos detidos na delegacia porque o ônibus da PM estava estacionado em local "um pouco distante" e "por se tratar de veículo de grande porte e algumas vias estarem interditadas, houve dificuldade em sua locomoção".

Em seguida, os oficiais afirmaram que "foi preciso o uso de uma tira de plástico no punho de alguns manifestantes que estavam mais exaltados e agressivos, a fim de que não causassem ofensas à integridade física dos policiais e nem dano ao patrimônio público".

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que a notícia não procede. "Não haverá nenhuma investigação, uma vez que não há nenhum indício de qualquer conduta irregular", disse. A informação, no entanto, vai de encontro ao que o Estado apurou, junto à Polícia Civil, de que o inquérito já foi aberto. 

"Diante disso, reiteramos a posição da SSP de que a ação dos policiais foi legítima, com procedimentos adotados para garantir a segurança dos manifestantes e da população, respeitando o pleno direito à liberdade de manifestação" afirmou a pasta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.