Polícia acha que serial killer fez mais vítimas

Investigadores esperam que mais pessoas que sofreram abuso ou ameaça apareçam

Vannildo Mendes de Brasília, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2010 | 00h00

A polícia desconfia que o pedreiro Adimar Jesus da Silva - que confessou ter matado e abusado de seis rapazes em Luziânia (GO) - cometeu outros crimes nesse período e até mesmo no passado. A expectativa é que vítimas de abusos ou pessoas que tenham sido ameaçadas apareçam.

Laudo preliminar divulgado ontem pelo Instituto Médico Legal de Luziânia (GO) comprova que as seis vítimas do pedreiro foram executadas com extrema violência. Os rapazes tiveram traumatismo craniano profundo, "produzido por objetos contundentes". A constatação coincide com a confissão do pedreiro, que revelou ter matado os garotos a pauladas e golpes de enxadão e de martelo.

Alguns tiveram a cabeça totalmente esmagada, o que dificulta ainda mais qualquer tipo de identificação que não seja por teste de DNA. A polícia apreendeu na casa do pedreiro e encaminhou para a perícia uma marreta, um martelo e um enxadão para verificar se foram utilizados no crime. Os objetos não apresentavam vestígios aparentes de sangue.

Após a fase inicial, a Polícia Civil de Goiás começou uma fase técnica de investigação para chegar à completa elucidação do caso, segundo o delegado-geral Aredes Pires. Serão analisados o passado do acusado, seu histórico familiar, amizades, além de ser reconstituído cada passo que deu nas duas primeiras progressões de pena (semiaberto e liberdade condicional), quando lhe foi permitido visitar parentes e usufruir de saídas temporárias. Nessa fase, serão também realizadas as perícias e consolidado o rol de provas. O laudo cadavérico só será concluído em 30 dias. A Polícia Federal começou ontem a fazer os exames de DNA nas amostras de tecido das vítimas. Esse processo, segundo a PF, deve demorar cerca de dez a 15 dias e só então os corpos serão liberados para o enterro.

Indenização. As famílias estão programando uma cerimônia coletiva de enterro na cidade. Pretendem também entrar com ação na Justiça para reclamar indenização diante de possíveis falhas do poder público e da omissão de agentes do Estado, que tinham o dever de monitorar o criminoso e impedir que ele cometesse novos crimes sexuais.

Adimar foi condenado a 14 anos de prisão (pena depois reduzida para dez anos e dez meses) por violência sexual contra duas crianças em Brasília, em 2005, mas foi posto em liberdade em 23 de novembro de 2009, após cumprir dois sextos da pena. O alvará contrariou parecer de três psicólogas que o consideravam "psicopata perigoso", com "sinais de sadismo" e de "perversão sexual", que o tornavam inapto ao convívio social.

Entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano, ele matou os seis rapazes de Luziânia.

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