Police é reeleito presidente da Câmara

Até bancada do PT ajuda a reeleger candidato de Kassab para mais um ano de gestão e enterrar oposição ao prefeito no Legislativo

ADRIANA FERRAZ , DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2011 | 03h01

Em ano eleitoral, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) terá o apoio da ampla maioria dos vereadores. Pela primeira vez em três décadas, a Câmara Municipal tem sintonia total com o Executivo. Ontem, durante composição da Mesa Diretora que comandará a Casa em 2012, nenhum partido ficou na oposição. Acordo negociado pelo prefeito colocou até desafetos de PT e PR em cargos de comando e reelegeu José Police Neto (PSD) presidente.

Aliado histórico de Kassab, Police Neto recebeu o apoio de 49 dos 55 vereadores. Na lista dos que votaram sim, há nove dos 11 representantes do PT - Juliana Cardoso se absteve e Francisco Chagas faltou à sessão. A posição da bancada petista revela que a tendência é de que o partido mantenha discurso crítico ao governo, mas não dificulte votações de projetos de Kassab, diferentemente do que ocorreu nas gestões de José Serra, Marta Suplicy, Celso Pitta, Paulo Maluf e Luiza Erundina.

Os únicos quatro parlamentares que não participaram do acordo para formação da Mesa e devem fazer oposição a Kassab em 2012 são Aurélio Miguel (PR), Adilson Amadeu (PTB), Milton Leite (DEM) e Juliana Cardoso (PT). Inimigos declarados do prefeito, Miguel e Amadeu nem compareceram à eleição. Leite, candidato à presidência no ano passado, também faltou.

O clima no plenário do Palácio Anchieta na manhã de ontem foi de confraternização entre antigos inimigos. Toninho Paiva (PR), que no ano passado jogou notas de R$ 1 no plenário para sinalizar que Kassab havia tentado comprar vereadores, voltou à base aliada. E foi eleito 2.º secretário da Câmara. No final, recebeu forte abraço de Police Neto.

Troca. Os petistas, que ficaram fora da Mesa neste ano, votaram no candidato de Kassab em troca da 1.ª secretaria. O cargo será assumido pelo vereador Ítalo Cardoso, líder do partido. Sem levantar a marca da oposição, o PT pleiteia agora o comando da TV Câmara, cujo orçamento anual é de R$ 18 milhões. "Não existe nenhuma orientação para que a bancada amenize as críticas. Só estamos fazendo valer nosso direito de proporcionalidade como maior bancada", argumentou Cardoso. Segundo ele, votar a favor dos projetos de Kassab não quer dizer concordar com a gestão. "Apoiamos temas que já eram discutidos quando estávamos na Prefeitura."

Constrangida, Juliana Cardoso foi a única petista a se abster. "Prefiro que meu líder fale sobre isso", respondeu, ao ser questionada se faltava sintonia no partido sobre o papel da oposição.

Logo após ser reeleito, Police Neto declarou ter cumprido sua missão de apaziguar rivalidades. Não sem concessões. Para conseguir a reeleição, seguiu ordem de Kassab e retirou da Mesa aliados como Cláudio Prado (PDT) e Netinho de Paula (PCdoB) para contemplar desafetos. "A busca pela tolerância nos obriga muitas vezes a tomar algumas atitudes conservadoras."

A posição de Kassab é privilegiada. Antes dele, a maior bancada governista já formada na Casa contou com 45 dos 55 vereadores em 2003, na gestão Marta Suplicy. E a menor, com 6, foi de Celso Pitta, em 2000.

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