Divulgação
Divulgação

Poeira de caminhão polui polo cerâmico

Estudo indica que Santa Gertrudes (SP) lidera o ranking nacional de poluição graças à movimentação dos veículos em estradas de terra

Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2016 | 05h00

SÃO PAULO - Situada no coração do maior complexo industrial de produção de cerâmica das Américas, a cidade paulista de Santa Gertrudes tem o ar mais poluído do interior do Estado. De acordo com um novo estudo, porém, a maior parte das partículas que poluem a atmosfera não vem diretamente das chaminés das fábricas, mas da poeira levantada pelos cerca de 1.200 caminhões que circulam por dia nas estradas de terra da região.

A pesquisa foi feita pela geógrafa Meyre Oliveira, como parte de seu doutorado na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro. Segundo ela, a região de Santa Gertrudes concentra 29 indústrias de pisos e revestimentos cerâmicos, responsáveis por mais de 50% da produção brasileira. “Toda essa poluição causada pelo material em suspensão na atmosfera é atribuída à atividade ceramista pela população, que sofre impactos na saúde. Mas o estudo indica que a maior parte do material mais fino, que causa danos à saúde, vem mesmo da poeira levantada pelos caminhões nas estradas de terra”, disse Meyre ao Estado.

“A movimentação desses caminhões está ligada às operações de lavra, transporte e beneficiamento do minério, mas também ao transporte de cana-de-açúcar, uma cultura importante na região. O problema poderia ser consideravelmente reduzido com a pavimentação das estradas”, afirmou Meyre.

Segundo a pesquisadora, o estudo avaliou as partículas menores que 10 micrômetros, que são finas o suficiente para penetrar no sistema respiratório. O foco principal foram as partículas com menos de 2,5 micrômetros. “São tão pequenas que entram nos alvéolos e podem ir até a corrente sanguínea. Elas agravam problemas respiratórios e causam alergias e doenças cardíacas”, disse.

Considerando apenas as partículas com menos de 2,5 micrômetros, a cidade de Santa Gertrudes não tem somente a pior qualidade do ar do interior paulista: é a mais poluída do Brasil. Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado em maio, mostra que a cidade tem média anual de 44 microgramas desse tipo de partícula por metro cúbico de ar, superando Cubatão (31 microgramas), Rio Claro (26) e a região metropolitana de São Paulo (19). O limite máximo recomendado pela OMS é de 10 microgramas. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.