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PMs são acusados de agredir alunos no interior

RENE MOREIRA , ESPECIAL PARA O ESTADO / FRANCA - O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2014 | 02h 02

Polícia foi chamada para conter tumulto em escola e teria agido com truculência; nove estudantes foram detidos

Nove adolescentes foram detidos depois de tentar incendiar a Escola Estadual Capitão Virgílio Garcia, em São Simão, a 50 quilômetros de Ribeirão Preto. A confusão começou na quarta-feira, após uma acusação de furto, e terminou em briga entre alunos e depredação do estabelecimento. Chamados para barrar o confronto, policiais militares teriam agredido os estudantes - o que a PM nega. Um adolescente chegou a ser algemado.

Um rapaz de 15 anos, da 7.ª série, acusou colegas de furtar o cartão de memória de seu celular. Ele, então, teria ameaçado os outros alunos com um pedaço de pau. A direção da escola acionou a polícia, que entrou em confronto com os estudantes. Os PMs usaram spray de pimenta para conter os adolescentes.

A confusão recomeçou na quinta-feira, quando outros estudantes atiraram pedras e bombas contra o prédio da escola. Vidros e telhas foram quebrados. Os policiais agiram novamente de forma truculenta, com alunos sendo agarrados pelo pescoço, conforme relatos.

Uma reunião entre representantes da escola, da Polícia Militar e da Diretoria Regional de Ensino de Ribeirão Preto definiu que o policiamento externo do prédio seria reforçado por policiais militares e pela Guarda Municipal. À noite, a prefeitura anunciou a contratação de oito seguranças particulares para vigiar o interior da escola. Ontem, o colégio funcionou já com a segurança reforçada.

Outro lado. A Polícia Militar de São Simão nega ter agido com violência para conter o tumulto. O adolescente que foi algemado na ação, segundo a corporação, teria agredido um policial, que passou por exame que teria constatado escoriações em seus braços.

O rapaz, ainda segundo a polícia, não teria se ferido. Seus colegas, porém, afirmam que ele apanhou do agente.

Para a polícia, os alunos seriam problemáticos, opinião compartilhada por alguns professores. Com medo de represálias, ninguém quer aparecer, mas muitos defenderam a ação dos policiais, sob o argumento de que alguns dos alunos seriam usuários de drogas até mesmo em horário de aula.

O comando da PM afirma ainda que viu a ação como "normal", considerando a "índole violenta" dos envolvidos.

Reação oficial. A Diretoria Regional de Ensino de Ribeirão Preto informou ontem que repudia qualquer ato de vandalismo e atua para reforçar a parceria com os pais e com a comunidade para evitar que casos semelhantes se repitam.

A direção da escola já apura quais são os alunos envolvidos para tomar as providências, com base no regimento escolar. Os reparos, informa a Secretaria de Estado da Educação, serão providenciados "o mais brevemente possível". Na unidade, o professor mediador - profissional capacitado para identificar vulnerabilidades e traçar estratégias preventivas - vai intensificar o trabalho na escola. "Cabe salientar que hoje (ontem) as aulas na unidade ocorrem normalmente", ressaltou a secretaria.

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