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São Paulo

Polícia Militar

PM vai 'agir fortemente' para prender quem depredar, diz secretário

Segundo Alexandre Moraes, 'quem praticar vandalismo é criminoso e será preso'; manifestação do MPL contra reajuste da tarifa do transporte público será nesta sexta-feira, a partir das 17h

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Juliana Diógenes,
O Estado de S. Paulo

08 Janeiro 2016 | 12h42

Atualizada às 15h12

SÃO PAULO - O secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, disse nesta sexta-feira, 8, que a Polícia Militar vai "agir fortemente" para prender manifestantes que depredarem patrimônio público e privado no ato do Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento da tarifa do transporte público, marcado para 17 horas. Segundo Moraes, a PM "sempre tem calma e sempre tem cautela" nos protestos e possui "a maior expertise em acompanhar grandes manifestações no Brasil".

"Estamos atentos e vamos agir fortemente com prisões em relação a eventuais black blocs. Manifestação não se confunde com vandalismo. Quem praticar vandalismo é criminoso e será preso. Mas tenho absoluta certeza de que as manifestações vão transcorrer normalmente", afirmou. 

As manifestações acontecem na véspera do reajuste, que começa a valer neste sábado, 9, e amplia a tarifa de ônibus, metrô e trem de R$ 3,50 para R$ 3,80. O MPL convocou atos em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, que ocorrerão simultaneamente nesta sexta-feira. Na capital paulista, o grupo vai sair do Teatro Municipal. O evento foi convocado pelas redes sociais e até as 9h30 desta sexta-feira, 7, tinha 15 mil pessoas confirmadas e 9,6 mil interessadas. O trajeto não foi divulgado pelo grupo. 

O secretário afirmou que não houve reunião do MPL com a polícia para definir o trajeto. "É outro grande problema das manifestações do MPL, que se recusa a fazer uma reunião, uma audiência prévia, simplesmente para verificar o trajeto", disse. A orientação da polícia, conforme Moraes, é negociar o percurso com as lideranças do movimento durante a concentração no início do ato.

Procurados, os militantes do Movimento não quiseram comentar as declarações do secretário. Tradicionalmente, o MPL defende que a decisão do percurso deve ser conjunta, definida pelos manifestantes em assembleia durante a concentração. "O MPL não vê sentido em comparecer a uma reunião para “definir as diretrizes do ato” com uma instituição que se prepara para reprimir uma manifestação legítima antes mesmo que ela aconteça", informa o grupo no site.

Aumento. Em 30 de dezembro, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciaram o reajuste da tarifa no ônibus, trem e metrô de São Paulo. O aumento será de 8,6%, abaixo da inflação - a previsão do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 10,72%. Com o aumento, as tarifas de integração devem subir de R$ 5,45 para R$ 5,92.

O Rio de Janeiro também terá ato nesta sexta. Marcado para as 17 horas, o protesto começa na Cinelândia, no centro da cidade. Até a noite desta quinta-feira, 7, 7,1 mil pessoas haviam confirmado presença. Na capital fluminense, a tarifa subiu no último sábado, dia 2, de R$ 3,40 para R$ 3,80, o que representa aumento de 11,7%.

Em Belo Horizonte, a tarifa passou de R$ 3,40 para R$ 3,70 no último domingo, 3, sofrendo aumento de 8,82%. Foi o terceiro reajuste em um ano. O MPL da capital também convocou um ato para esta sexta-feira. Será às 18 horas com saída da Praça Sete, no centro. No evento, 3,6 mil pessoas confirmaram presença.

Histórico. A última vez que houve aumento no valor das passagens de ônibus, metrô e trem em São Paulo foi em janeiro do ano passado, quando a tarifa subiu de R$ 3 para R$ 3,50, após ter ficado mais de um ano congelada.

Em 2013, uma série de protestos do Movimento Passe Livre (MPL) marcou o anúncio de aumento nas tarifas de transporte público, que, à época, seria de R$ 3 para R$ 3,20, e os dois governos resolveram recuar. Na ocasião, Haddad também resolveu contratar uma auditoria para analisar o sistema municipal de transporte e avaliar o reajuste necessário.

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