WERTHER SANTANA/ESTADO
WERTHER SANTANA/ESTADO

PM usa gás de pimenta para dispersar estudantes na CPI da Merenda

Manifestantes, que haviam acampado em frente à Assembleia para acompanhar a sessão desta quarta-feira, não conseguiram entrar no plenário porque, segundo a oposição, claque do PSDB teve acesso privilegiado

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

14 Setembro 2016 | 10h54
Atualizado 14 Setembro 2016 | 21h29

A sessão da CPI da Merenda realizada nesta quarta-feira, 14, para ouvir o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez (PSDB), foi marcada por tumulto, bate-boca e agressões envolvendo estudantes, deputados, policiais militares e até jornalistas. 

A PM chegou a usar gás de pimenta para dispersar manifestantes que bloquearam o acesso ao plenário da CPI após terem sido impedidos de entrar. Um estudante foi detido acusado de agredir um policial, e um cinegrafista da GloboNews relatou ter recebido um soco de um PM. Estudantes e dois policiais também ficaram feridos.

A confusão começou por volta das 9 horas, ainda antes do início da CPI, quando um grupo de 20 estudantes tentou entrar no plenário. Eles haviam acampado à noite na frente da Alesp para garantir o acesso, que é limitado e controlado por senhas, mas se depararam com 17 pessoas que já estavam na fila porque haviam entrado na Alesp por outro local e seriam ligadas a integrantes da comissão, que negam.

“Tentamos negociar com a polícia e deixaram dez estudantes entrar. Quando outros tentaram entrar, começou o empurra-empurra”, contou Emerson Santos, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), que participara da ocupação do plenário da Alesp em maio. O fato resultou na instalação da CPI da Merenda, que sofria resistência de deputados da base governista.

Na confusão, o cinegrafista Amós Alexandre, da GloboNews, foi atingido por um soco e empurrado por um policial. O fato foi repudiado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que cobrou das autoridades a “adoção de medidas que impeçam a repetição de violência contra jornalistas no exercício da profissão, além da apuração rigorosa e punição do agressor” em nota assinada pelo presidente Paulo Tonet Camargo.

A Secretaria da Segurança Pública afirmou que a Assessoria Militar na Alesp pediu para que o cinegrafista “comunicasse oficialmente as circunstâncias do fato para que seja apurada a conduta dos policiais”. Segundo a PM, os estudantes “forçaram a entrada” no plenário da CPI, que já estava lotado, “obrigando a polícia a impedi-los”. 

“Os manifestantes geraram forte tumulto, dois PMs ficaram feridos e foi preciso usar gás de pimenta para dispersar quem tentava invadir a todo custo o recinto. Um rapaz agrediu um PM, foi detido e encaminhado ao 36.º DP”, afirma a PM. Para os estudantes e deputados de oposição, a ação policial foi “violenta” e “desproporcional”.

Por causa do tumulto, deputados petistas chegaram a abandonar a sessão por alguns minutos, durante o depoimento de Luiz Carlos Gutierrez, o Licá, ex-assessor de Capez. Eles queriam que a sessão fosse transferida para um plenário maior, mas o pedido não foi aceito pelo presidente da comissão, Marcos Zerbini (PSDB). 

Capez. Após a dispersão dos manifestantes, apenas um pequeno grupo de estudantes acompanhou o depoimento de Capez. Durante quase três horas, o presidente da Alesp voltou a negar qualquer envolvimento com a máfia acusada de desviar recursos em contratos da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) com o governo Geraldo Alckmin (PSDB) e com prefeituras paulistas.

“Não recebi um centavo dessa ou de qualquer outra cooperativa. Minha campanha não recebeu um centavo de cooperativas. Não conheço essas pessoas que citaram meu nome, jamais troquei mensagens, jamais liguei para essas pessoas e jamais interferi em licitações da Secretaria da Educação”, afirmou Capez. “Fui usado e, de vítima, fui tratado como suspeito.”

Capez foi citado pelo lobista Marcel Júlio em acordo de delação premiada com o Ministério Público Estadual (MPE) como beneficiário do esquema de propina paga pela Coaf para obter contratos superfaturados. Para o deputado Alencar Santana (PT), a ida de Capez à CPI foi “atropelada” porque ocorreu antes de outros depoimentos e do recebimento das delações homologadas pelo Tribunal de Justiça. “Ficamos de mãos atadas.

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