PM envolvido em morte responde a outros dois casos

Agente da Força Tática é investigado por dois homicídios; outro PM enfrenta acusação por resistência seguida de lesão corporal

CAMILLA HADDAD , BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2012 | 03h04

Dois dos envolvidos na morte do publicitário Ricardo Prudente de Aquino já estiveram em confrontos durante abordagens policiais. Robson Tadeu do Nascimento Paulino, de 30 anos, há seis na Polícia Militar, responde por duas resistências seguidas de morte - homicídios registrados após supostos tiroteios. Já Adriano Costa da Silva, de 26, há cinco anos na corporação, respondeu por uma resistência seguida de lesão corporal. O terceiro envolvido, Luiz Gustavo Teixeira da Silva, de 27, também há cinco na PM, não tem registro de abordagens em sua ficha.

Parentes dos policiais, que estavam no 14.º Distrito Policial (Pinheiros), não quiseram comentar a ação. "Meu marido está há anos na polícia", disse a mulher de um dos PMs. "Ainda não pude falar com ele."

Do dia 1.º até ontem, 47 pessoas foram mortas pela polícia no Estado em supostas resistências (leia ao lado). Isso representa 2,5 mortes por dia.

Segundo o subcomandante-geral da PM, coronel Hudson Camilli, os casos de resistências seguidas de morte em São Paulo não estão aumentando. "Do ponto de vista estatístico, não parece que exista algo que fuja à normalidade", disse.

A proporção de mortes cometidas pela PM em relação ao total de homicídios na capital preocupa. Desde 2000, o Estado vem reduzindo o número de homicídios em geral, mas não consegue baixar os praticados pelos policiais. Os dados de janeiro a maio mostram que a corporação já responde por um em cada cinco homicídios - embora o número absoluto de registros tenha ficado praticamente estável desde 2000.

Índice internacional. Segundo avaliação do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), da Universidade Candido Mendes, índices internacionais mostram que entre 3% e 4% do total de homicídios de um país podem estar concentrados nas mãos de policiais.

Em São Paulo, esse índice já oscilou entre 6% e 9%. Para se ter uma ideia, dados da Anistia Internacional, consolidados em 2009, mostram que a polícia dos EUA é responsável por um em cada 35 homicídios (2,9%).

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