PM é surpreendida por decisão do governo

Oficiais temem que a corporação seja culpada por violência; Meira nega cisão entre coronéis e diz que "quem manda é ele"

Bruno Paes Manso, Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

18 Junho 2013 | 02h02

Um clima de velório tomou conta do quartel do Comando Geral da PM. Surpreendidos pela decisão do governo de negociar com os manifestantes e com a proibição do uso de balas de borracha determinada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), os coronéis tentaram entender o que estava ocorrendo e temiam que a corporação fosse culpada pelos episódios de violência na semana passada durante as manifestações do Movimento Passe Livre (MPL).

A reviravolta apanhou a PM diante de uma cisão no alto comando. Importantes coronéis, como os chefes dos Comandos de Policiamento de Choque e da Capital, resistem em cumprir orientações do coordenador operacional da PM, coronel Sérgio Merlo. Na manhã de ontem, o comandante-geral da PM, coronel Benedito Roberto Meira, negou a crise e disse que pacificou a PM.

"Quem disse que ele (Merlo) dá ordem? Quem dá ordem sou eu. O Merlo não manda nada. Ele é um mero coordenador. É uma figura acessória", afirmou Meira. Merlo foi candidato ao comando da PM, mas foi preterido com a nomeação de Meira. Merlo é um coronel mais jovem do que os comandantes que deve coordenar. A coordenaria foi criada nos anos 1990 pelo então comandante-geral Carlos Alberto Camargo. Devia ficar abaixo só do comandante e do subcomandante. Meira chamou Melro para o cargo depois de outros quatro coronéis terem recusado a função. "Querem causar transtornos para o comando."

Meira afirmou que é ele "quem decide o emprego da Tropa de Choque", como ocorreu na quinta-feira passada. Ontem, ele deixou a tropa de prontidão, em seus quartéis, na Luz, no centro, Ou seja, a 9 quilômetros do Largo da Batata, onde a manifestação começou.

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