Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

PM é presa após balear pai de adolescente na zona leste de São Paulo

Policial atirou em pai de jovem que estava em garupa de moto que não teria parado em abordagem; estado de saúde da vítima é grave

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

11 Agosto 2014 | 11h03

Atualizada às 20h42

SÃO PAULO - Uma policial militar foi presa em flagrante, após atirar em um servidor público municipal na Avenida Caititu, em Cidade A.E. Carvalho, zona leste de São Paulo. A cabo da PM Arethusa Rodrigues Moraes, de 33 anos, foi indiciada por lesão corporal grave após atingir Mario Aparecido dos Santos, de 63 anos, no pescoço, durante uma abordagem policial.
O caso aconteceu às 17h20 do domingo, 10. Três policiais da 3.ª Companhia do 39.º Batalhão da PM faziam patrulhamento em Itaquera, quando viram um casal em uma motocicleta Honda Twister, sem capacete, na Rua Terra Brasileira. Willian Costa de Araujo Ferreira, que, segundo a polícia, tem antecedente criminal por roubo e cumpre pena em regime aberto, e Carina dos Santos, que estava na garupa, não obedeceram ao sinal de parada e foram seguidos. O condutor não tinha habilitação e o IPVA da moto estava vencido.
Os dois, que são cunhados, só pararam na frente da casa da família de Carina, na Avenida Caititu, próximo da Comunidade “X do Morro”. Os policiais afirmam que pediram para o casal encostar na parede para fazer uma revista, mas não teriam sido obedecidos. Um dos policiais, Jarde da Silva dos Santos, de 33 anos, tentou conter e algemar o motociclista, mas os moradores da região se aglomeraram no local e passaram a contestar a ação. O terceiro agente era José Carlos Evangelista da Silva, de 31 anos.
“Alguns moradores começaram a hostilizar os policiais militares, com chutes e jogando pedras, copos de vidros e outros objetos”, afirmou a Polícia Militar, em nota oficial. Um dos moradores era Mario Aparecido dos Santos, pai de Carina, que tentava retirar a filha do local. A cabo Arethusa fez dois disparos de advertência para cima e um terceiro, à direita, que atingiu o servidor no pescoço.
“A indiciada justifica seu ato, dizendo que a vítima teria tentado puxar seu braço”, registrou a Polícia Civil. O procedimento operacional padrão da Polícia Militar, porém, não prevê disparo de advertência em nenhuma hipótese.
Os moradores contestam a versão da Polícia Militar e afirmam que o tiro foi deliberado. De acordo com eles, durante a abordagem um dos policiais chutou a motocicleta, que caiu sobre o condutor. Logo depois, o agente teria arrastado Willian Ferreira pelo pescoço e começado a espancá-lo, enquanto o outro policial continha Carina, apontando a arma para ela. Revoltados, os moradores reagiram. “O pessoal só jogou pedra depois que os policiais começaram a bater nos dois”, disse Nara Inã, de 26 anos, que mora na região e afirmou ter testemunhado o caso. 
Socorro. Após ser ferido no pescoço, Mario Aparecido dos Santos foi socorrido pelos moradores e levado para o pronto-socorro de Ermelino Matarazzo, em estado grave e inconsciente, e depois transferido para o Hospital Santa Marcelina.
“Nenhum policial ficou para preservar o local. A perícia só chegou às 5 horas. Se a gente dependesse deles, ninguém teria levado meu pai para o hospital”, afirmou Priscila Santos, uma das filhas do servidor. Ele permanecia internado em estado grave na noite desta segunda-feira, 11.
A policial Arethusa foi levada para o Presídio Militar Romão Gomes. “As circunstâncias desse terceiro disparo, no qual a policial alega ter tido seu braço puxado, estão sendo verificadas”, de acordo com a Polícia Militar. Sua arma foi apreendida e encaminhada para a perícia técnica. O mesmo ocorreu com a moto usada pelo casal.

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