PM corrupto é morto por colegas durante confronto

Policiais armaram flagrante sem saber que chantagistas eram PMs; baleado, policial honesto está em estado grave

CAMILA BRUNELLI, MARCELO GODOY, O Estado de S.Paulo

04 Julho 2012 | 03h01

Dois policiais acusados de corrupção atiraram em colegas que fariam um flagrante de extorsão, sem saber que os chantagistas eram PMs, na madrugada de ontem, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Um dos suspeitos acabou morto e outro, que trabalhava na ocorrência, foi baleado na cabeça e está em estado grave.

O caso teve início quando policiais do 29.º Batalhão, responsável pela zona leste da capital, abordou um Passat com dois ocupantes com atitude suspeita. Eles levavam cerca de R$ 1 mil, que estariam sendo exigidos pela dupla de PMs. Policiais então decidiram armar o flagrante - ainda sem saber que quem extorquia eram colegas. Horas antes, os corruptos haviam encontrado papelotes de cocaína com eles e pedido dinheiro para não prendê-los.

Assim, o tenente Luan Pereira Guerreiro, de 26 anos, fez com que o sargento Sérgio Alex Simão de Oliveira, de 43, e o soldado Wilian Alvez Ruiz, de 26, vestissem roupa de civil, assumissem o Passat e fossem ao local marcado para a entrega do dinheiro, no Bairro dos Pimentas. Duas viaturas da Força Tática acompanharam o veículo particular, com mais seis PMs e os dois civis extorquidos.

No local, um Renault Logan e um Fiat Palio estacionaram e um dos homens foi em direção ao Passat. Ao notar que não se tratava dos homens com quem tinha negociado, o soldado Gilmar Matias dos Santos, de 32 anos, atirou na cabeça do soldado Ruiz. O sargento Alex revidou, matando-o. O outro policial corrupto tentou fugir, atirando contra os policiais. Identificado como soldado Anderson Roberto dos Santos, de 31, acabou se rendendo e contando que era policial.

Bom comportamento. Ambos trabalhavam no 44.º BPM, de Guarulhos, e usavam pistolas calibre .40 da corporação. Santos, que morreu, estava na PM havia 11 anos e tinha quatro punições administrativas. Há dez anos na polícia, Anderson só havia tido uma punição.

O comportamento dos dois era considerado bom e o incidente foi recebido com surpresa no batalhão. O comando da PM proibiu qualquer tipo de homenagem ao PM morto. Já o outro corrupto foi autuado em flagrante por concussão (extorsão praticada por funcionário público) e tentativa de homicídio. Ele poderá ser expulso. Até a noite de ontem, ele estava preso na Corregedoria da PM e deveria ser levado ao Presídio Militar Romão Gomes.

As vítimas da extorsão serão ouvidas como testemunhas. "A PM está nas ruas, trabalhando. Essa ocorrência choca por ser policial contra policial. Não compactuamos com esse tipo de atitude de ninguém, muito menos por parte da polícia, que é quem tem obrigação legal de proteger a sociedade e, em vez disso, está cometendo crimes", disse o major Ironcides Gomes Filho, da Corregedoria. O soldado Ruiz, que está em estado grave, casou-se há dois meses.

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