PF prende presidente da Unidos de Vila Isabel

Ele e mais 23 detidos, entre eles oito policiais, são acusados de integrar esquema de máquinas caça-níqueis no Rio e em outras quatro cidades

Marcelo Auler / RIO, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2010 | 00h00

O presidente da escola de samba Unidos de Vila Isabel, Wilson Vieira Alves, o Moisés, foi preso ontem pela Polícia Federal em uma operação contra a exploração de caça-níqueis nos municípios de Niterói e São Gonçalo. Além das duas cidades, a ação aconteceu em outras três, entre elas a capital fluminense. Até o fim da tarde de ontem, 24 pessoas haviam sido detidas, entre elas oito policiais. Duas armas e R$ 386 mil foram apreendidos.

Além de Moisés, foram presos mais dois diretores e um assessor da Vila Isabel, o major da PM Antônio Ricardo da Silva Ramos (ex-chefe do Setor de Inteligência do 7.º Batalhão, em São Gonçalo), outros seis soldados PMs e o policial civil Lúcio Teixeira Tibau, na casa de quem foram encontrados R$ 115 mil em dinheiro. Entre os demais presos estavam onze "maquineiros" (donos das máquinas caça-níqueis e de música) e participantes do núcleo do jogo.

Segundo o delegado Marco Aurélio Costa de Lima, um dos responsáveis pela Operação Alvará, Moisés, com autorização da cúpula do jogo do bicho, controlava a exploração de caça-níqueis, cobrando dos maquineiros um pedágio mensal. O pagamento gerava um selo, que atestava uma espécie de alvará de funcionamento das máquinas. Daí surgiu o nome da operação.

Em Niterói, o jogo é controlado por dois grandes contraventores que pertencem à chamada cúpula do jogo do bicho no Rio, Antônio Petrus Kalil, o Turcão, de 85 anos, e Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, de 69. Dos 42 mandados de busca e apreensão expedidos pela 4.ª Vara Federal Criminal de Niterói, um deles foi no escritório de Guimarães. Com a prisão de Moisés, a PF disse acreditar que conseguiu desbaratar o esquema dos caça-níqueis. "Apreensão de máquinas não resolve. Nosso foco foi em quem controla o jogo", disse o delegado Costa Lima.

Explosão. A investigação da Operação Alvará não tem qualquer ligação com a explosão do carro do também bicheiro Rogério Andrade, na semana passada, na Barra da Tijuca. Andrade, sobrinho do velho bicheiro Castor de Andrade, disputa o controle dos caça-níqueis na zona oeste.

Mas os dois fatos, para o superintendente da PF do Rio, Ângelo Fernandes Gioia, deve servir de alerta. "É importante ficar claro para a sociedade que esta atividade não é uma atividade romântica, lúdica, como muitos querem mostrar e apresentar."

OUTROS CASOS

beija-flor

O presidente de honra da Beija-Flor, Anísio Abraão Davi, foi preso duas vezes, em 2007 e 2008, em operações da Polícia Federal para combater a exploração de máquinas caça-níqueis no Rio de Janeiro

Liga das Escolas

Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, então presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio, também foi detido em 2007 em uma das operações da PF que investigavam a máfia dos caça-níqueis

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