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‘Pesco aqui há 25 anos e nunca vi coisa parecida’

Fabio Leite/Estadão - O Estado de S. Paulo

24 Agosto 2014 | 03h 00

Moradores da região do Paraíba do Sul lamentam que está cada vez mais difícil encontrar peixes por causa da seca

Sérgio Castro/Estadão
Barco atolado. Resultado da seca na Represa de Paraibuna

SÃO PAULO - Sentado à beira do Rio Paraíba do Sul sob o guarda-sol e com uma vara de pescar em punho, o pedreiro Luiz Gonzaga, de 45 anos, nota diariamente os efeitos da estiagem na região. Em Paraibuna, a poucos metros de onde o rio ganha o nome que o acompanha por cerca de mil quilômetros até desaguar no Oceano Atlântico, em São João da Barra, no Rio, ele lamenta que a seca tenha dificultado ainda mais o desafio da pescaria.

“Está cada vez mais difícil encontrar um pocinho assim para a gente pescar. Como o nível do rio baixou, onde ‘batia’ peixe não tem mais água. Agora eles ficam todos lá no meio. Ainda tem lambari, piapara, traíra, mas dá muito mais trabalho”, contou Gonzaga, que mora em São José dos Campos e há mais de dez anos dirige até Paraibuna para pescar.

O Paraíba do Sul nasce da junção dos Rios Paraitinga e Paraibuna, na represa que leva o último nome. De lá, segue para oeste do Estado e, em Guararema, muda de direção, rumo ao norte. Em São José dos Campos, junta-se com o Rio Jaguari, e atravessa o Vale do Paraíba, cruzando Taubaté e Guaratinguetá até entrar no Estado do Rio.

“Tem muita gente que depende desse rio aqui. Não é à toa que está dando essa confusão toda. Pesco aqui há 25 anos e nunca vi coisa parecida. Sem exagero, o rio já baixou uns oito metros. Essa seca está dando medo”, contou o pintor Juarez Benício de Paulo, de 61 anos, que se sente um pouco mais seguro nessa crise da água porque mora em um bairro de São José dos Campos abastecido por poço artesiano.

Foi pensando nessa “segurança” que o aposentado Antonio Teodoro da Silva, de 68 anos, começou há dois meses a cavar um poço caipira nos fundos de sua casa de veraneio em Paraibuna. “Não dá para contar com São Pedro, né? O problema é que até debaixo da terra está difícil encontrar água”, disse Silva, que escavou 7 metros de profundidade e só encontrou terra e pedra.

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