Alexandre Serpa/Futura Press
Alexandre Serpa/Futura Press

Perseguição termina em morte e Marginal do Pinheiros é bloqueada

Cercado por policiais, motociclistas invadiu a marginal na contramão e bateu contra outras duas motos

Rafael Italiani e Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

06 Janeiro 2015 | 19h06

Atualizada às 23h40

SÃO PAULO - Uma perseguição policial terminou com a morte de um motociclista e a interdição da pista expressa da Marginal do Pinheiros, na zona sul de São Paulo, na noite desta terça-feira, 6. Na contramão, o veículo se chocou contra duas motos e um carro na altura da Ponte Cidade Jardim, no sentido Interlagos. Três pessoas ficaram feridas. O condutor, que morreu no local, não tinha passagem pela polícia e fugia por estar sem a habilitação. A via só foi totalmente liberada às 21h30, 3 horas depois do acidente.

A Polícia Militar havia montado uma blitz na Avenida Jornalista Roberto Marinho, no Brooklin, zona sul da capital. O vigilante Marcelo Jesus da Silva, de 30 anos, que trabalhava no Condomínio Mustique, no mesmo bairro, furou o bloqueio. Os PMs começaram a persegui-lo. Silva cruzou a Ponte Octavio Frias de Oliveira e entrou na Marginal no sentido contrário ao fluxo de veículos. Os policiais seguiram pelo acostamento da via.

O motociclista percorreu cerca de 6 quilômetros, até a Ponte Cidade Jardim, onde bateu de frente em uma moto. Silva foi lançado em um Citröen C3, passou por cima do veículo com o impacto e atingiu a segunda motocicleta. 

Quando os PMs o alcançaram, o motociclista ainda respirava, mas com dificuldade. Segundo os policiais, um médico que estava no local analisou o acidentado e disse que a morte deve ter sido causada pelo forte impacto no tórax, uma vez que não havia nenhuma perfuração em Silva.

Luiz Fernando Elias Felipe, condutor de uma das motos atingidas, foi socorrido pelo helicóptero Águia da PM. Em estado grave, ele foi levado para o Hospital das Clínicas, em Pinheiros, zona oeste. Até as 22 horas, Felipe continuava internado. O casal que ocupava a outra motocicleta, Douglas Castro de Oliveira e Ingrid Correa Santino, foi encaminhado para o Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP), no Butantã, zona oeste. Ela teve ferimentos leves e ele sofreu uma fratura na perna.

Susto. A motorista do Citroën C3, a funcionária pública Marisa Martins Rosa da Silva, de 52 anos, permaneceu no local do acidente e depois seguiu para o 89.º Distrito Policial (Portal do Morumbi), na zona sul. Ela afirmou que estava voltando do trabalho pelo caminho de sempre, usando uma das faixas do meio da Marginal, quando viu uma moto na contramão, que colidiu na moto à sua frente. 

“O homem bateu no meu carro e voou, foi muito de repente. Parei o carro na hora, fiquei estática, chocada. Eu nunca tinha visto um negócio desses, só na televisão. E espero não ver nunca mais”, afirmou Marisa, que não quis sair do carro depois da ocorrência. “Não gosto de ver essas coisas, acidentes, fico mal”, disse.

A moto estava em nome do cunhado de Silva. A mulher do rapaz, Tatiana Jerônimo dos Santos, afirmou à polícia que ele usava a moto havia dois anos, mas não tinha habilitação, o que pode ter motivado a fuga. Representante do Grupo GP Guarda Patrimonial, onde Silva trabalhava, Ricardo Rocha Ferreira, diz que vai conversar com os funcionários da empresa para saber o motivo da fuga. “Vamos ver com os colegas de trabalho dele se ele estava em uma semana ruim. Sabemos que a documentação estava atrasada, mas acontece com milhares de pessoas e não seria motivo para fugir”, afirmou.

Silva tinha três filhos - um deles uma menina de sete meses. Morava com a família no Capão Redondo, zona sul. 

 

 

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