Perícia acusa falha de manutenção em queda do AF 447

Relatório divulgado pelo Libération critica prazos de limpeza das sondas de velocidade do Airbus da Air France

, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2010 | 00h00

A investigação francesa judicial sobre a tragédia do voo 447 da Air France apontaram que falhas na manutenção podem ter provocado o acidente, em junho do ano passado. O Airbus A330 havia saído do Rio de Janeiro e seguia para Paris, quando caiu no oceano Atlântico. Todos os 228 ocupantes do voo morreram.

As informações estão presentes no relatório preliminar sobre o acidente, que teve partes divulgadas ontem pelo jornal francês Libération. O documento elaborado por cinco peritos judiciários, no entanto, ainda está sendo trabalhado e a previsão é que a versão definitiva seja apresentada em dezembro.

O jornal aponta que esse é um "elemento contribuinte", mas afirma não que ainda não é possível com precisão identificar os fatos que conduziram ao desastre. Por isso, concluem que "é necessária a busca de outras provas", O relatório aponta falhas na manutenção dos chamados tubos de pitot, sondas de medição de velocidade do avião. Esses equipamentos já haviam sido apontados como possível causa do acidente, quando a própria Air France informou em um comunicado a seus pilotos logo após a tragédia que trocaria os equipamentos de todas as aeronaves. As equipes do Escritório de Investigações e Análises sobre a Aviação Civil (BEA) confirmaram que uma "incoerência da velocidade aferida" havia sido verificada na ocasião do desaparecimento da aeronave.

O relatório dos peritos judiciais põe em questão o tempo decorrido a partir da última manutenção do equipamento - ele leva em conta tanto a quantidade de meses quanto a de horas de voo. As autoridades francesas determinam a manutenção dessas peças a cada 21 meses. No Canadá, por exemplo, depois de incidentes envolvendo aviões da Bombardier, em 2008, foi decidida a mudança no prazo para 600 horas de voo, ou seja, aproximadamente a cada quatro meses.

O longo prazo na França pode ter oferecido condições para que as sondas fossem rapidamente cobertas por uma camada de gelo que as tenha deixado inutilizadas. A falta de limpeza periódica "teria gerado uma série de panes que levaram a deterioração das condições de condução da aeronave", diz o relatório.

A Air France afirmou desconhecer o relatório. Em comunicado, ressaltou que a investigação do BEA mostra que foram respeitados "os procedimentos ditados pelos fabricantes e autoridades". As revelações do Libération chegam um dia depois de o BEA dar por encerrada a terceira fase de buscas pelas caixas-pretas. O secretário de Transportes francês, Dominique Bussereau, insistiu ontem ao BEA que faça uma quarta operação de buscas,/ AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

CRONOLOGIA

Acidente no voo Rio-Paris

31 de maio de 2009

Queda do AF 447

A aeronave cai no Atlântico e mata 228 pessoas.

17 de dezembro de 2009

Relatório do BEA

Informações apontam falha dos sensores de velocidade.

23 de abril de 2010

Caixa-preta

O BEA anuncia o fim da terceira fase das buscas.

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