Pedreiro matou jovem logo após deixar cadeia

Considerado psicopata e com isolamento requerido, serial killer de Luziânia estava em liberdade condicional; as vítimas tinham entre 13 e 19 anos

Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2010 | 00h00

A polícia identificou Admar de Jesus como o serial killer goiano que matou seis jovens entre 13 e 19 anos desde o fim de 2009. Ele ajudou a localizar os corpos das vítimas. Discreto e gentil com vizinhos, matava sem piedade. O laudo psiquiátrico feito em agosto - após Admar cumprir pena de 4 anos por abuso infantil - revela que o pedreiro de 40 anos é um psicopata "perigoso" que deveria ser "isolado". Mesmo assim, foi libertado.

Em 23 de dezembro, ele deixou a cadeia da Papuda, em Brasília, porque, segundo avaliação do Juizado de Instrução Penal, já havia cumprido um terço da pena e tinha direito à progressão de regime. Estava na primeira semana da liberdade condicional quando, em 30 de dezembro, fez a primeira vítima, Diego Alves Rodrigues, de 13 anos.

O menino cursava a 9.ª série do ensino fundamental, tinha bom comportamento e desapareceu por volta do meio-dia, depois de ter ido a uma oficina perto de casa. Daí em diante, Admar não parou mais de matar. A seguir vieram Paulo Victor Vieira de Lima (16), George Rabelo dos Santos (17), Divino Luiz Lopes da Silva (16), Flávio Augusto dos Santos (14) e Márcio Luiz de Souza Lopes (19), o único maior de idade, todos assassinados entre os dias 4 e 23 de janeiro.

Semelhança. Em comum entre as vítimas havia o fato de não terem passagem pela polícia e serem todas pobres, moradoras do bairro Estrela Dalva, o mais populoso de Luziânia, cidade goiana a 60 km de Brasília. A polícia apurou que Admar atraía os meninos com proposta de dinheiro, provavelmente envolvendo programa sexual. Mas só se saberá com precisão o que ocorreu após a necropsia dos corpos.

Cúmplices. As vítimas, em adiantado estado de decomposição, estavam enterradas em covas rasas. Há sinais de que foram mortas a pauladas e a polícia trabalha com a possibilidade de que haja "um ou mais cúmplices nas execuções", segundo o delegado Josuemar Vaz, chefe do Departamento de Polícia Civil de Goiás.

Os corpos estavam num sítio na periferia de Luziânia, em uma mata próxima de um córrego, cuja margem foi transformada numa espécie de cemitério particular do psicopata. Além disso, Admar distribuiu pertences das vítimas, como celulares e bicicletas, a parentes e amigos. Foi por conta de um celular de um dos garotos que o assassino deu à irmã que ele acabou sendo capturado. O telefone foi rastreado.

Preso no sábado de manhã, Admar confessou os crimes e à noite foram resgatados os dois primeiros corpos. Além dele, outras quatro pessoas de sua relação pessoal estão detidas: a irmã, o cunhado, o sobrinho e um amigo. Segundo relato dos parentes presos, ele reclamava ter sofrido abusos na Papuda, mas a polícia considera isso um álibi para obter compaixão.

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