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Pedágio por trecho só funciona em 2,3% dos 6,3 mil km de rodovias

FABIO LEITE e JOSÉ MARIA TOMAZELA - O Estado de S. Paulo

18 Agosto 2014 | 02h 02

Implementado há pouco mais de dois anos em SP, projeto-piloto do Ponto a Ponto beneficia atualmente usuários de três estradas

SOROCABA - Mais de dois anos após o primeiro projeto-piloto entrar em operação, o sistema de cobrança de pedágio por trecho percorrido em São Paulo, batizado de Ponto a Ponto, continua em fase de testes e funciona hoje em somente 2,3% dos 6,3 mil quilômetros de rodovias estaduais pedagiadas. São três estradas, que somam 145,5 quilômetros cobertos pelo programa.

Pioneiro no País, o modelo foi lançado em abril de 2012 na Rodovia Engenheiro Constâncio Cintra (SP-360), no trecho que liga Itatiba a Jundiaí, mas somente para moradores de nove bairros de Itatiba. No mês seguinte, foi a vez da Rodovia Santos Dumont (SP-075), que liga Campinas a Sorocaba, também com adesão limitada a quem vive em Indaiatuba.

Somente na Rodovia Governador Adhemar de Barros (SP-340), que liga Campinas a Mococa, não há restrição de adesão ao projeto e qualquer usuário da via pode instalar o equipamento (tag) em seu veículo e obter 50% de redução no valor do pedágio. Segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), responsável pela implementação do Ponto a Ponto, a SP-340 tem hoje 59.882 motoristas inscritos. A Rodovia Governador Adhemar de Barros foi a última a receber o sistema, no ano passado.

Somando os usuários cadastrados no programa nas três rodovias estaduais, o Ponto a Ponto beneficia hoje 64.458 motoristas. Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), a frota atual do Estado de São Paulo é de cerca de 25 milhões de veículos.

De acordo com a Artesp, o Ponto a Ponto está em fase de instalação em 77 quilômetros da Rodovia Professor Zeferino Vaz (SP-332), entre Paulínia e Cosmópolis, região de Campinas, onde um pedágio foi incendiado durante manifestações ocorridas em julho de 2013.

O início da operação está previsto para as próximas semanas. A intenção, afirma a agência, é ampliar o programa, mas os prazos ainda não estão definidos.

Tarifa. O valor das tarifas de pedágio foi uns dos principais temas explorados na corrida eleitoral ao governo do Estado, há quatro anos. À época, o então candidato Geraldo Alckmin (PSDB) havia prometido rever os contratos de concessão de rodovias e até reduzir os valores em algumas praças que cortam municípios do interior. Depois de eleito, o governador desistiu da ideia e anunciou a criação do sistema Ponto a Ponto.

Em maio deste ano, a Assembleia Legislativa instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as tarifas praticadas nas rodovias paulistas. Em depoimento a deputados, o secretário de Logística e Transportes, Clodoaldo Pelissioni, e a diretora-geral da Artesp, Karla Trindade, disseram que o sistema Ponto a Ponto representa o futuro da cobrança de pedágio, mas não definiram metas de ampliação do modelo.

Segundo a Artesp, o número de motoristas que usam sistema de pagamento automático nas rodovias paulistas, como o Sem Parar, é de 56,77%, ou seja, supera os que ainda param nas praças de pedágio para o pagamento manual da tarifa. O uso de meio eletrônico favorece a adesão ao Ponto a Ponto.