ESTADAO CONTEUDO
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Paulistano leva economia de água ao litoral

Sabesp espera repetição no verão do dado de 2014, que teve queda de 9% do consumo; região recebe 3,7 mi de turistas

Fabio Leite e Reginaldo Pupo, O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2015 | 05h00

São Paulo - Acostumados com o racionamento na capital desde o início da crise hídrica, os paulistanos que descem a serra para passar o ano-novo no litoral também têm levado na bagagem o hábito de economizar água. Só no verão passado, o consumo caiu 9% em relação ao ano anterior. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) espera que o comportamento se repita nesta temporada para conseguir atender um número três vezes maior de pessoas e evitar que as torneiras sequem em pleno calor, que beira os 40 C°.

“No réveillon do ano passado não tivemos problema de abastecimento em nenhuma cidade do litoral, além de casos pontuais. Um componente que ajudou foi o consumo mais módico das pessoas, em função de todo o debate na mídia sobre os recursos hídricos. O resultado até nos surpreendeu. As pessoas estão mais conscientes e o uso racional da água deve se repetir nesta temporada”, diz Luiz Paulo de Almeida Neto, diretor da Sabesp no litoral e interior.

Responsável pelo abastecimento de água dos 16 municípios do litoral paulista, a Sabesp espera que até 3,7 milhões turistas passem a virada do ano na praia, juntamente com outros 2 milhões de habitantes locais. Para dar conta dessa demanda, as estações de tratamento de água vão funcionar 24 horas, com capacidade máxima de produção de 14,8 mil litros por segundo, equivalente à do Sistema Cantareira atualmente.

Ainda assim, afirma o dirigente, se não houver a economia poderá faltar água nos horários de pico de consumo.

Ducha rápida. Um bom exemplo é o do professor Rubens de Freitas Camargo, de 52, anos que está com sua família desde o Natal em São Sebastião, onde pretende ficar até o próximo dia 15. “Não lavamos carro e ficamos pouco tempo no banho. Na verdade, quando chegamos em casa, tomamos um rápido banho de ducha, para também economizarmos energia elétrica”, explicou. Ele disse ter observado que seus vizinhos também economizam água.

“Não temos visto pessoas lavando carro na garagem nem tomando banho de mangueira. Ao menos na nossa vizinhança”, acrescentou Camargo, que mora no Morumbi, zona sul da capital, e está passando as férias em sua casa de praia no Pontal da Cruz. Até agora, ele disse que ainda não teve problemas com falta d’água. “Mas percebemos que nesta temporada o número de turistas já é bem maior.”

As amigas Talita Mendes, de 15 anos , Geovanna Plínio Nogueira, de 18, e Mayara Rossetto, de 18, todas moradoras do bairro Butantã que passarão o ano-novo em São Sebastião, já foram “intimadas” a economizar água na praia, antes de descerem a serra. “Nossos pais, que chegarão na quinta-feira (dia 31), já nos passaram como primeira regra economizar água”, disse Mayara.

Elas contam que não demoram mais do que cinco minutos no banho, mesmo após chegarem da praia e verem a necessidade de lavar os cabelos por causa da água do mar. “Já fiquei sem água por mais de dois dias no apartamento em São Paulo e não quero passar esse sufoco na praia”, disse Geovanna.

Caminhões. A Sabesp informou que investiu R$ 78 milhões neste ano em melhorias no abastecimento do litoral e terá 53 caminhões-pipa para casos de emergência.

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