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Paulistano espera até 30 horas por remoção de corpo

Laura Maia de Castro

06 Abril 2014 | 22h 39

Problemas começam no Serviço Funerário, órgão municipal que tem apenas três carros em funcionamento para transporte dos mortos, e continuam no Instituto Médico-Legal (IML), ligado ao Estado, onde há relatos de demora nas necropsias

Demora de até 30h para a remoção de um corpo, espera de 8h para a realização de uma necropsia no Instituto Médico-Legal (IML) e início de velório sem o morto são alguns dos dramas de paulistanos que dependem de serviços municipais e estaduais. Funcionários endossam as críticas, e a principal queixa é em casos de remoções por morte natural.

O velório da mãe da estudante de Direito Elizabeth Aparecida Pinheiro de Almeida, de 54 anos, só aconteceu dois dias depois da morte, com caixão lacrado. Em 11 de fevereiro, o corpo de Maria da Conceição Pinheiro, de 79 anos, ficou mais de um dia à espera de remoção em um hospital da zona norte, para onde foi levada após passar mal.

Como Maria chegou morta, Elizabeth teve de ir ao 73.º Distrito Policial (Jaçanã) para comunicar o falecimento e solicitar a remoção do corpo. Um dia depois, parentes aguardavam para levar o corpo ao Serviço de Verificação de Óbito da Capital (SVOC), órgão estadual.

Só depois de voltar ao DP, Elizabeth obteve êxito. "Enterrar a mãe a gente supera, mas isso tudo que tivemos de passar, não", disse. Ela deve entrar na Justiça contra os responsáveis.

O Serviço Funerário – órgão municipal – diz que só foi avisado da necessidade da remoção na segunda vez em que a família foi à delegacia. Após o comunicado, foram 2h15. A Polícia Civil diz que enviou a primeira solicitação.

A professora Maria Silvia Meirelles, de 61 anos, relatou demora no atendimento da agência funerária do Araçá, vinculada à Prefeitura. Seu pai, o neurologista José Lamartine de Assis, de 99 anos, morreu no dia 19 de fevereiro e a família optou por esperar até o dia seguinte para contratar o funeral. Terminado o atendimento às 9h50, avisaram amigos e parentes que o velório começaria ao meio-dia. O corpo chegou às 14h30. "O velório começou sem o meu pai estar lá", contou Maria Silvia. Segundo ela, funcionários alegaram falta de carros no serviço.

Remonte. Ao 'Estado', funcionários disseram que três carros com capacidade para um corpo cada atuam nas remoções. "É humanamente impossível realizar o trabalho com dignidade. Os carros que suportam mais corpos vivem na oficina. A gente acaba tendo de fazer o ‘remonte’ (colocar mais de um corpo na mesma gaveta)", disse um funcionário. A prática é proibida.

A direção do Serviço Funerário alegou desconhecer o remonte, mas confirma problemas. Segundo a superintendente Lucia Salles, há um "desmantelamento" da autarquia há alguns anos. "Temos muito o que fazer, mas a nossa prioridade é melhorar o atendimento", disse.

Segundo ela, a espera média é de 3h. Para remoção ao SVOC, a frota atual é de três "rabecões", com capacidade para quatro corpos, e quatro saveiros, para um. Está prevista para esta segunda a chegada de seis veículos, para três corpos cada. Cerca de 200 pessoas morrem por dia na capital, entre mortes por causas naturais e violentas. Para os demais serviços, como traslado para cemitério, são 60 carros.

O orçamento não mudou nos últimos anos. Em 2013, foram liquidados R$ 12,3 milhões em transportes e, corrigido pela inflação, o valor é 2% menor do que o de 2009 – R$ 10,1 milhões. / COLABOROU DANIEL TRIELLI

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