Paulistano é a favor de 'tolerância zero'

Pesquisa feita a pedido do 'Estado' revela aprovação ao projeto em discussão no Congresso; 86% dão aval à fiscalização da PM

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2011 | 03h02

O paulistano é favorável à lei aprovada pelo Senado, e ainda em discussão na Câmara dos Deputados, que proíbe qualquer nível de álcool no sangue de pessoas ao volante. É o que aponta pesquisa realizada pelo Instituto Informa, a pedido do Estado. A pesquisa mostra também que, apesar de temida, a realização de blitze da lei seca é aprovada por 86% da população da cidade.

A aprovação da "tolerância zero" de álcool é maior entre as mulheres: 89,5% delas são a favor do aumento da rigidez da lei. Mas a diferença não é tanta. Entre os homens, o porcentual é de 79,3% de aprovação - na média, 84,4% da cidade concorda.

O projeto de lei que propõe mudanças na lei seca foi aprovado pelo Senado no começo de novembro. Além de proibir totalmente o cidadão de beber, a lei torna a punição mais dura (de 6 a 12 anos de prisão) e acaba com a exigência do teste do bafômetro para quem for flagrado nas blitze - se a pessoa se recusar a assoprar o aparelho, o testemunho de alguém que diga que o motorista está bêbado serviria como prova no processo criminal.

Jovens. A maior parte das pessoas contrárias à lei, curiosamente, ainda não pode dirigir - ou tem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) recente. No corte por faixa etária, os que mais responderam que "discordam totalmente" da lei são os jovens entre 16 e 19 anos: 14,2% deles são contra. Entre as pessoas com 50 anos ou mais, apenas 5,1% disseram não concordar com a tolerância zero. No total, 8,2% dos moradores da capital preferem que a lei não seja endurecida.

A pesquisa qualitativa (por intermédio de questionário aplicado por entrevista pessoal) foi feita entre os dias 2 e 5 de dezembro, com 1.065 pessoas, em todas as regiões da cidade. A margem de erro é de 3% para mais ou para menos.

O recorte por região também mostra que a zona leste - que tem quatro das cinco vias que mais registraram atropelamentos com morte na cidade neste ano, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) - é a área da cidade mais favorável à mudança. Lá, 91,6% das pessoas concordam com a diminuição da tolerância na lei seca. Na zona norte, região com menos moradores favoráveis à alteração nas regras, a aprovação é de 76,9% das pessoas.

Punições. Quem bebe até um copo de cerveja e é flagrado na blitz recebe multa de R$ 980 e perde a CNH por um ano. Se beber três copos, também responde processo por crime de trânsito. Para 49,7% dos paulistanos, essas punições são leves demais. E para 41,8%, justas. Só 7,9% dos moradores as acham pesadas demais.

Essa pergunta é a segunda em que os resultados são mais próximos. A campeã é sobre a legislação de trânsito - 48,4% das pessoas acham que o paulistano conhece as leis de trânsito, ante 48,3% que acham que o morador da cidade não tem conhecimento sobre a legislação em vigor.

Embora 79% dos entrevistados considerem que a maioria dos acidentes de trânsito é causada por pessoas embriagadas, a pesquisa mostra que o paulistano não gosta do jeito que os moradores da cidade dirigem. O questionário quis saber se o morador da capital é um motorista prudente. E 70,3% das pessoas responderam que não. Os homens são menos críticos nessa avaliação do que as mulheres, segundo o estudo. Se, para eles, 31% dos paulistanos são prudentes, apenas 19,1% delas têm a mesma opinião.

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