Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Avenida Paulista poderá ser fechada dia 23 para inauguração de novo trecho de ciclovia

Antes, no dia 9 de agosto, será aberta a ciclovia na Rua Amaral Gurgel, que fica embaixo do Elevado Costa e Silva, o Minhocão

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

29 Julho 2015 | 12h53

Corrigida às 21h38

SÃO PAULO - A Prefeitura estuda fechar a Avenida Paulista para veículos pela segunda vez no ano. A data prevista pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) é o dia 23 de agosto, quando 800 metros de ciclovia serão inaugurados na Avenida Bernardino de Campos. A faixa é uma extensão da pista entregue ao público no dia 28 de junho, quando a Paulista foi fechada para carros pela primeira vez.

Nesta quarta-feira, 29, o prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou que o novo fechamento da Paulista será discutido com entidades da região, mas ele já avalia a medida como sendo viável para definir um agenda definitiva de fechamento da via aos domingos. “Seria bom que houvesse mais um teste antes de uma decisão final, até para dar tempo de conversar com os atores da região que dependem do acesso (à avenida) aos domingos, como clubes e hospitais”, diz Haddad.

O trecho em obras, na região da Estação Paraíso do Metrô, já está sendo usado por alguns ciclistas. Apesar das faixas vermelhas, ainda é preciso instalar os gradis, a rede semafórica para bikes e finalizar os recuos para pedestres semelhantes aos que existem na ciclovia da Paulista. 

Quando pronta, a ciclovia da Paulista, que compreende também os 800 metros da Avenida Bernardino de Campos, terá um total de 4 quilômetros de extensão. A faixa será interligada com as pistas para bicicleta da Rua Vergueiro, da Avenida Liberdade e da Rua Domingos de Morais, na Vila Mariana.

Para os ciclistas que circulam pela região, o novo trecho servirá como uma espécie de baldeação da rede cicloviária de São Paulo, já que possibilita interligação com as outras vias que têm ciclovias. “Quanto mais interligações com outros lugares que já têm as faixas, melhor. A cidade fica mais acessível e segura para nós”, diz a publicitária Karla Costa, de 36 anos. Ela mora na região da Vila Mariana e trabalha nos Jardins. 

Com o novo trecho, Karla não precisará mais pedalar entre os carros. As pedaladas entre a casa e o trabalho levam cerca de 30 minutos. “De carro, pela manhã, eu chegava a ficar 40 minutos no trânsito”, afirma. 

A partir do ponto que será inaugurado no dia 23 de agosto, os ciclistas poderão descer a Rua Vergueiro, entrar na Avenida Liberdade e chegar à Praça da Sé, na região central, apenas por faixas segregadas. Ou, então, poderão seguir reto, pegar a Avenida Paulista e chegar ao Pacaembu, na zona oeste. 

Corredor. Para o cicloativista Daniel Guth, diretor da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), a entrega dos 800 metros vai concluir uma espécie de “corredor” para bikes. “(A ciclovia da Bernardino de Campos) segue o mesmo percurso da Avenida Paulista, com o mesmo desenho. Os ciclistas poderão sair da região (do Metrô) Conceição e ir para a o centro”, afirma o cicloativista.

Para Guth, o fechamento da avenida para carros no dia 28 de junho, que possibilitou a ocupação de pedestres e bikers, “acabou com as discussões” sobre a interdição definitiva da via. “Já se mostrou que não há problemas para os hospitais. E se uma ambulância precisar passar entre pedestres e ciclistas, ela vai trafegar com mais facilidade do que no horário de pico”, diz. Guth e outros cicloativistas esperam que a política oficial de fechamento da Paulista seja definida ainda em 2015.

Debate. O presidente da Associação Paulista Viva, Antonio Carlos Franchini, disse que a entidade e os associados ainda não foram procurados para discutir o fechamento em 23 de agosto. Para ele, no entanto, o bloqueio para carros da via é viável. “É importante conversar com todos os envolvidos para que eventuais transtornos sejam evitados”, afirmou. 

Segundo Franchini, quando houve o primeiro fechamento da Paulista para a inauguração da ciclovia, o Club Homs teve de cancelar atividades e estacionamentos da região, que, segundo o presidente, não tinham sido avisados, fecharam no dia. 

Sob o Minhocão. No próximo dia 9, a Prefeitura vai inaugurar a ciclovia sob o Minhocão, entre as Avenidas São João e Amaral Gurgel, na região central de São Paulo.

Apesar de ainda passar por intervenções e ajustes, a pista de 3,5 quilômetros já é usada por ciclistas. No futuro, ela será interligada com a ciclovia da Rua da Consolação, ainda sem data para começar a ser construída.

Para fazer as faixas vermelhas no canteiro central das avenidas sob o Minhocão, a administração municipal retirou 78 moradores de rua que viviam na área. Eles foram transferidos para abrigos, albergues e outros programas sociais desenvolvidos pela Prefeitura.

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