Paralisação em Diadema afeta 90 mil pessoas, dizem motoristas

Cerca de 400 coletivos da cidade estão presos em garagem localizada na capital

Bruno Ribeiro , O Estado de S. Paulo

22 Maio 2014 | 17h47

SÃO PAULO - Com aproximadamente 1.100 funcionários parados na frente da garagem da Viação Mobi, no bairro Pedreira, zona sul da capital, impedindo a saída de ônibus da garagem, cerca de 60% dos coletivos municipais que atendem a cidade de Diadema, no ABC, estão paralisados nesta quinta-feira, 22. Pela cidade, pessoas reclamam de mais espera nos pontos e, consequentemente, coletivos superlotados.

Há apenas duas empresas de ônibus em Diadema. Segundo a prefeitura, a outra empresa, a Benfica, aumentou o número de coletivos nas ruas para circular nas linhas operadas pela Mobi. A prefeitura informa também que empresas de outras cidades do ABC, que operam linhas intermunicipais, também estão no reforço, para evitar transtornos.

Mas é claro que há impactos para a população. "Já estou há uma hora no ponto. É o dobro do tempo que espero. De manhã, quando vim trabalhar, o ônibus também demorou 40 minutos a mais para passar e estava superlotado. Se eu não conseguir embarcar, vou pedir para meu filho vir me buscar", disse a cozinheira Maria Eunice dos Santos, de 51 anos.

O Terminal Piraporinha, o segundo maior da cidade, no entanto, tinha poucas filas por volta das 14h30 desta quinta. Uma das fiscais do terminal contou que, no horário de pico da manhã, a lotação foi grande por causa da falta de coletivos, mas o remanejo coordenado pelas empresas manteve a operação, mesmo que de forma precária.

Os empregados da Mobi afirmam que estão parados porque querem receber o mesmo piso salarial dos motoristas das demais empresas que do ABC. "Como a nossa garagem fica em São Paulo, nós não somos do sindicato dos motoristas do ABC. Mas também não somos do sindicato da capital. Somos do sindicato dos motoristas rodoviários, e eles não nos representam", afirma.

A consequência disso - e razão da grave, segundo afirmam - é um piso salarial menor do que todas as demais empresas. "Ganhamos piso de R$ 1.850. No ABC, é R$ 2.555. Não vamos voltar enquanto não recebermos a mesma coisa", diz o funcionário, que pediu para não ter o nome publicado com medo de ser demitido.

Outros funcionários fazem mais reivindicações. Querem marcação eletrônica das horas extras, porque acusam a empresa de não pagá-las corretamente, além de coletivos novos (dizem que os veículos que operam são de frotas antigas vindas de Recife, Pernambuco). Principalmente, querem cobrador em todos os coletivos. "A gente dirige e cobra, sem ganhar por isso", afirma um deles.

Um representante do Sindicato dos Rodoviários de São Paulo acompanha a paralisação e afirmou que a entidade apoia a paralisação, apesar de não liderá-la. Givaldo Paes de Melo, diretor de base do sindicato, diz que tentou intermediar uma negociação entre funcionários e empresa, mas sem obter sucesso. "Eles não quiseram indicar uma comissão para negociar com a empresa. A empresa está disposta", disse.

Melo rebateu as críticas sobre a falta de representação de sua entidade afirmando que, apesar de a empresa operar no ABC, ela está localizada na capital. "Se ela se mudasse para o ABC, seria outro sindicato. Como não mudou, legalmente não tem jeito. É conosco", disse.

Nenhum representante da Mobi foi localizado pelo Estado até as 17h desta quinta para comentar a paralisação.

 

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