Marcos Bezerra/Futura Press
Marcos Bezerra/Futura Press

Paralisação de motoristas e cobradores em SP deixa 700 ônibus na garagem

Cerca de 200 funcionários protestam contra demissões em massa; Paese foi acionado em 4 linhas

O Estado de S. Paulo

02 Abril 2014 | 08h06

Atualizada às 20h15

SÃO PAULO - Cerca de 200 motoristas e cobradores de ônibus das empresas Transcooper e Fenix fizeram paralisação das linhas na madrugada desta quarta-feira, 2. O protesto na zona norte da capital deixou 731 veículos de 59 linhas parados em frente à garagem da Transcooper, onde os manifestantes se concentraram pela manhã.

Por volta das 8h40, de acordo com a SPTrans, os ônibus começaram a sair das garagens, minimizando os transtornos aos passageiros. A Operação Paese, no entanto, continua acontecendo. Por volta das 9 horas, a diretoria da Transcooper se reuniu para discutir os pontos de reivindicação dos grevistas.

Os funcionários que faziam manifestação em frente à garagem da Transcooper no Jaraguá, zona norte, reclamavam de suposta demissão em massa de cobradores. Por volta das 9 horas, a diretoria da Transcooper se reuniu para discutir os pontos de reivindicação dos grevistas. De acordo com a SPTrans, ainda não há reunião agendada com o secretário municipal de Transportes Jilmar Tatto (PT).

Barra Funda. A paralisação dos motoristas e cobradores pegou os passageiros de surpresa na manhã desta quarta-feira, 2, na Estação Barra Funda, zona oeste da capital. O metalúrgico Gilson Mariano, de 45 anos, foi obrigado a telefonar para a empresa onde trabalha e avisar sobre o atraso. "Também pedi para que um carro da firma me buscasse. Não tenho dinheiro para pagar o táxi", contou ele, que mora em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, e trabalha no bairro do Limão, zona norte.

Já para a designer Cíntia Guedes, de 23 anos, o protesto não podia ter vindo em dia pior. A jovem, que mora na região norte, ficou presa na Barra Funda nesta manhã para ir a uma entrevista de emprego em Pinheiros, zona oeste da cidade. Cíntia só não ficou mais preocupada porque saiu de casa com antecedência. "Acho que vai dar tempo de chegar. Os ônibus para essa região estão passando", disse ela, sem tirar os olhos no relógio.

Justificativa. O vice-presidente da Transcooper, Paulo Roberto dos Santos, afirmou que as demissões de motoristas e cobradores estão ligadas a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com o Ministério Público do Trabalho. Pelo acordo, de setembro de 2013, cerca de 19 mil funcionários do sistema de transporte público paulistano devem ser contratados com carteira assinada.

"O custo para contratar pelo regime CLT é bem mais elevado", aponta. De acordo com Santos, os recursos repassados pela Prefeitura são insuficientes. "Atualmente as cooperativas recebem R$ 1,42 por passageiro, sendo que o bilhete comum custa R$ 3."

O vice-presidente da Transcooper, que atua em consórcio com a Fênix, defende que os valores encaminhados pela SPTrans às cooperativas deveriam ser entre R$ 1,80 e R$ 2,10. "Além da mão de obra, temos gastos com a manutenção dos veículos", diz.

Para Santos, o número de ônibus que ficaram na garagem nesta manhã foi superior ao divulgado pela SPTrans. "Acredito que foram quase 1,2 mil veículos parados (de uma frota de 1,8 mil)", afirma.

Representantes das cooperativas querem reunião com o poder público nesta semana para discutir os repasses às cooperativas. A SPTrans disse que não foi agendado encontro com o secretário Jilmar Tatto (PT).

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