Para PM, morte de publicitário no Alto de Pinheiros foi 'legalmente inadequada'

Uma abordagem equivocada da Polícia Militar causou a morte do publicitário Ricardo Prudente de Aquino, de 39 anos, na noite de anteontem, no Alto de Pinheiros, bairro da zona oeste de São Paulo. Ontem, o comandante interino da PM, Hudson Camilli, evitou admitir erros dos policiais. "Foi uma ação legalmente inadequada, já que não houve injusta agressão por parte da vítima."

BRUNO PAES MANSO, FABIANO NUNES, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2012 | 03h02

De acordo com a versão dos PMs, o Fiesta do publicitário passou em alta velocidade pela Praça da Paz, no Sumaré, no momento em que policiais do 23.º Batalhão abordavam outro veículo, às 22h25 de quarta-feira. "Eles desconfiaram do carro e iniciaram uma perseguição", disse o delegado seccional Dejair Rodrigues. Outros carros e motos entraram na ação. Pela versão da PM, 10 minutos depois o carro do publicitário bateu em uma viatura, na Avenida das Corujas.

"Aí houve uma falha na abordagem. Eles acharam que um objeto preto na mão do publicitário fosse uma arma", explicou o delegado. Provavelmente, segundo a versão da PM, o objeto seria um telefone celular. Foram disparados cinco tiros no total, três a curta distância - e dois acertaram o publicitário na cabeça. Ele foi levado para o Hospital das Clínicas, onde morreu.

A família do publicitário não acredita na versão da PM. Familiares dizem que o celular estava sem bateria - e, portanto, não seria usado por ele - e o carro da vítima parecia estacionado, não batido. Parentes alegam ainda que itens pessoais de Aquino, como o próprio celular e notebook, desapareceram.

Os PMs Luiz Gustavo Teixeira da Silva, de 27 anos, Adriano Costa da Silva, de 26, e Robson Tadeu do Nascimento Paulino, de 30, foram presos em flagrante por homicídio doloso e levados para o Presídio Militar Romão Gomes, no Tremembé.

Segundo o delegado, o publicitário portava 50 gramas de maconha. "Não sei se esse foi o motivo da fuga, mas há um protocolo de abordagem que deve ser seguido pelos policiais e isso não aconteceu." A família de Aquino nega que ele fizesse uso de maconha.

Investigação. Já o coronel Camilli ponderou que, caso seja provado que as circunstâncias os levaram a agir de forma violenta, os policiais poderão voltar a trabalhar normalmente. "A vítima fugiu da abordagem. De acordo com os policiais, o gesto dele com o celular os levou a reagir, uma defesa putativa porque imaginavam que estavam sendo injustamente agredidos. Só a investigação vai conseguir mostrar se os policiais erraram."

Mesmo assim, o coronel disse que lamentava a ocorrência e informou que a PM estava prestando apoio aos familiares da vítima. No fim, depois de insistentes perguntas, pediu "desculpas aos familiares".

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