JOHNNY DE FRANCO/SIGMAPRESS
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País registra 98 mortes por raio no ano; Estado de SP e capital lideram

Segundo especialista, densidade populacional influi; 27% das vítimas estavam em atividades agropecuárias

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

30 Janeiro 2015 | 03h00

Em 2014, 98 pessoas morreram atingidas por raios no Brasil, de acordo com um levantamento divulgado nesta quinta-feira, 29, pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um centro de referência internacional no estudo sobre descargas atmosféricas. Com 17 vítimas, o Estado de São Paulo foi o que teve maior número de mortes, segundo o relatório. Em seguida, vêm o Maranhão, com 16, o Piauí, com 7 e o Amazonas e Pará, com 6 mortes cada.

As cidades que tiveram maior número de vítimas em 2014, de acordo com o relatório, foram São Paulo, com 5, Praia Grande (SP) com 4, e Pauini (AM), Wanderley (BA) e Igarapé Grande (MA), com 2. O relatório também mostra que, nos últimos 15 anos, a capital paulista foi a cidade com maior número de mortos por raios no Brasil - 25 ao todo. Até 2013, Manaus (AM), que terminou 2014 com 22 casos, liderava o ranking. 

Entre 2000 e 2014, o Estado de São Paulo teve 288 mortes por raios, enquanto Minas teve 132 e o Rio Grande do Sul, 130. 

Segundo Osmar Pinto Jr, coordenador do Elat, embora o Brasil seja o país com mais incidência de raios no mundo - com 57,8 milhões de descargas por ano -, os raios causam mais mortes na China, na Índia e na Nigéria. “O número de mortes tem relação com a incidência de raios, mas também com a densidade populacional. Por isso uma cidade com tantos habitantes como São Paulo registra tantos casos, ainda que tenham um nível de exposição relativamente baixo.”

No campo. De acordo com o relatório, as circunstâncias das mortes por raios no País permanecem semelhantes às de anos anteriores: 27% das vítimas estavam em atividades agropecuárias quando foram atingidas e 20% estavam dentro de casa. Entre todas as vítimas, 56% viviam na zona rural. Segundo Pinto Jr., estima-se que até 80% das mortes acontecem em circunstâncias que poderiam ser evitadas. “Isso mostra um grande desconhecimento dos riscos.”

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