Pai vai deixar avó ver S., diz advogada

Pai vai deixar avó ver S., diz advogada

Representante do americano David Goldman diz que pai quer presença de psicólogo no encontro, mas não fixa data para isso ocorrer

, O Estadao de S.Paulo

06 Abril 2010 | 00h00

A advogada de David Goldman, Patricia Apy, disse ontem que o americano está disposto a permitir que o filho S., de 10 anos, seja visitado pela avó materna do garoto, Silvana Bianchi, desde que o encontro seja acompanhado por um psicólogo. Mas não estabeleceu data para isso ocorrer.

Em março, Silvana foi a New Jersey, onde Goldman vive com S., mas a Justiça local proibiu a visita. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil decidiu que o garoto deveria ser entregue pela família brasileira ao pai, que queria levar S. para os Estados Unidos. Na época, Goldman informou que permitiria as visitas dos parentes brasileiros do filho.

"Nós avisamos Silvana Bianchi e o marido (em janeiro deste ano), que teríamos de passar por um processo para lidar com a relação entre S. e a família materna. Isso tudo é complexo porque David ainda está conhecendo o garoto", ressaltou Patricia, em entrevista à Associated Press. "Trata-se de um processo em que eles (os avós maternos) não precisam estar envolvidos."

No sábado, o advogado Sérgio Tostes, que representa a família brasileira do garoto S., disse que vai recorrer da decisão da Justiça de Nova Jersey. "O pai sempre negou e impediu o contato", afirmou o advogado. Segundo Tostes, o pedido de Silvana teve por base a Convenção de Haia, a mesma usada por Goldman na Justiça brasileira para conseguir a guarda do filho. "Ele alegou que (o contato) seria prejudicial à adaptação da criança. Também exigiram que os telefonemas fossem em inglês, para que pudesse monitorá-los."

Conforme o advogado brasileiro, só houve um encontro da avó com o garoto desde o Natal, mas "foi um fracasso total", por causa das "restrições". "Ele não quer ficar lá. S. conseguiu mandar um e-mail escondido do pai, usando um videogame, e disse que está muito infeliz, morrendo de saudade e inseguro."

Ontem, Patricia Apy ressaltou que o menino se adapta bem à vida fora do Brasil e está frequentando a escola. Ela ressaltou que, por enquanto, David Goldman não dará declarações sobre a disputa com a família materna.

Cronologia

Disputa jurídica internacional

2000

S., filho de Bruna Bianchi Ribeiro e David Goldman, nasce em New Jersey, EUA

16 de junho de 2004

Bruna e S. viajam ao Rio, mas ela não volta e diz que Goldman só verá o filho se aceitar o divórcio. No mês seguinte, a 2.ª Vara de Família do Rio concede a guarda à mãe

21 de agosto de 2008

Bruna morre no parto da filha com João Paulo Lins e Silva

28 de agosto de 2008

Lins e Silva obtém a guarda do enteado

Setembro de 2008

2.ª Vara nega pedido de Goldman para visitar S.

6 de fevereiro de 2009

É concedido a Goldman o direito de ver o filho

22 de dezembro

O presidente do STF, Gilmar Mendes, determina que S. deve ir aos EUA com o pai

24 de dezembro

S. volta para New Jersey com David Goldman

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