Alex Silva
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Pai típico de São Paulo tem 30 anos e participa da criação dos filhos

Seade preparou perfil dos homens com filhos no Estado; maioria nasceu na capital e 21% são mais novos que as mães

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

08 Agosto 2015 | 21h21

SÃO PAULO - Pedro já está há seis meses na barriga de Marcela, aguardando pacientemente seu momento de vislumbrar o mundo pela primeira vez - e transformar Luiz Eduardo Orsi em pai. Em novembro, Pedro vai garantir que o próximo Dia dos Pais seja comemorado em família. Ao mesmo tempo, vai colocar Orsi nas estatísticas oficiais do Estado como um típico pai paulista.

O analista de sistemas de 31 anos tem a idade média dos homens que se tornam pais em São Paulo, segundo pesquisa inédita da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Como em 75% dos casos, ele e Marcela são paulistas. Ela tem 3 anos a menos que o marido, o que corresponde à diferença média entre os parceiros.

O órgão aproveitou a data para divulgar informações sobre idade, naturalidade e nacionalidade dos pais residentes no Estado, coletadas em 2013. Embora igualmente importantes na geração de uma criança, os pais são pouco contemplados em pesquisas demográficas, fato que a fundação quis corrigir. "Temos uma base de dados com características das mães, crianças, partos e gestações. Do pai, as características são pouca", reconhece a analista de dados do órgão Lúcia Mayumi Yazaki.

"Como a gente sempre trabalha dados de fecundidade, acabava dando prioridade para questões das mulheres. Como o volume de informações é grande, não trabalhávamos tanto a qualidade dos dados dos homens, dos pais", explica a pesquisadora. Com a fecundidade estabilizada em 1,7 filho por mulher no Estado, Lúcia decidiu investir em estudos mais detalhados sobre pais.

Embora não exista uma série histórica para comparação, é possível afirmar que os homens têm tido filhos mais tarde. "A maternidade e a paternidade vão acompanhando o comportamento da nupcialidade", diz Lúcia. Em 2003, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontava que a idade mais comum para ser mãe em São Paulo era entre 20 e 24 anos, com 28,68% do total. Em uma década, o período de 25 a 29 anos passou a liderar, com 24,89% dos partos.

Para Juliano Osório da Silva, professor universitário de 32 anos, o motivo para se tornar pai após os 30 foi planejamento. "Nós queríamos estabilizar a vida econômica e social para dar o suporte que um filho precisa", explica ele, que mora em Barretos, no interior do Estado, e tem Bianca, de 2 meses. "Eu tinha dois empregos e me afastei de um para poder acompanhar o crescimento, ser mais participativo e curtir a criança. Antigamente, era como se fosse uma fábrica, em que mesmo após ter o filho você continuava trabalhando para ganhar dinheiro e sustentar a família."

Igualdade. Já o produtor musical Felipe Parra faz parte do grupo de pais que é mais novo do que as mães (21%). Ele tinha 26 anos quando Pedro nasceu - e sua então mulher, quatro a mais. Os dois hoje têm a guarda compartilhada do filho, que está com 5 anos. 

"Antes eu sentia que era mais novo que os pais dos colegas do Pedro, mas hoje já sinto menos. Dos meus amigos mais próximos, só eu tenho filho", diz ele. A relação de Parra e da ex-mulher com o filho reflete uma tendência que, apesar de não ser observada nos números, chama a atenção dos pesquisadores - a participação igualitária na criação. "As decisões sobre ele têm de ser feitas conjuntamente e levamos isso a um extremo. Moramos perto, somos vizinhos, e muita gente acha isso estranho, esquisito. A gente não é mais um casal, mas somos os pais do Pedro", salienta.

Lúcia concorda. "A participação do homem na chegada do filho, no cuidado, na educação, está crescendo. Entra também na questão do gênero, da igualdade, de compartilhar tarefas. A educação não vem só da mãe, mas dos dois", ressalta.

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