Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Pai espera até 8h por necropsia do filho no IML de Artur Alvim

Superintendente do órgão diz que serviço leva em média 2h, mas admite que há déficit no quadro de funcionários

Laura Maia de Castro, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2014 | 02h02

O Instituto Médico-Legal (IML), órgão responsável por recolhimento e necropsia em casos de mortes violentas e acidentais, também registra problemas. Com cinco unidades na capital, responsáveis por 10.812 necropsias no ano passado, o IML é alvo de críticas da população e de denúncias de funcionários, que relatam precariedade e falta de investimentos.

O Estado acompanhou a espera de um pai pela liberação do corpo do filho durante oito horas no IML de Artur Alvim, na zona leste. O metalúrgico Adilson Lúcio da Silva aguardava a liberação do corpo do filho de 26 anos, que tinha morrido por causa desconhecida, na madrugada do dia 17 do mês passado. "É muito descaso, e eu queria muito enterrar meu filho hoje, porque a família está completamente devastada", disse.

A família só conseguiu enterrá-lo no dia seguinte, e o velório foi com o caixão lacrado.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP), em nota, informou que "o tempo de duração da necropsia varia de acordo com a complexidade do caso e a realização de exames complementares necessários". A superintendente da Polícia Técnico-Científica, Norma Bonaccorso, disse que o tempo médio de uma necropsia é de duas horas.

Ela admitiu que o maior desafio do IML é aumentar o quadro de funcionários. "No momento, 44 médicos legistas e 22 auxiliares de necropsia estão em formação, com formatura prevista para este mês. Também faremos um concurso regionalizado para admitir mais 140 médicos-legistas neste ano", disse.

De acordo com a execução orçamentária do IML, obtida com a liderança do PT na Assembleia Legislativa, há cinco anos o órgão tem baixo investimento. Desde 2009, mais de 97% do valor liquidado vai para despesa com pessoal. No ano passado, dos R$ 155,9 milhões liquidados, R$ 152,8 milhões foram gastos com pessoal e encargos.

Segundo a SSP, no ano passado foram investidos R$ 1,8 milhão nos IMLs da capital.

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