Denny Cesare/Estadão
Denny Cesare/Estadão

Padre que usou tirolesa para iniciar missa promete mais surpresas

Religioso do interior paulista teve ajuda dos bombeiros para percorrer, pendurado por uma corda, 30 metros até o altar

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2017 | 04h00

SOROCABA - A missa de 13 de novembro celebrada pelo monsenhor Augusto Alves Ferreira, de Espírito Santo do Pinhal, no interior paulista, foi diferente das outras. A principal novidade não foi no sermão, mas na aparição do padre, de 70 anos: ele entrou na igreja pendurado por uma corda e percorreu 30 metros até o altar. Após imagens da aventura circularem nas redes sociais, Ferreira já se tornou o “padre da tirolesa”.

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De batina, sem sapatos e com uma imagem de Nossa Senhora da Rosa Mística nas mãos, ele enfrentou o desafio a 12 metros de altura. E a criatividade não termina ali. “Estamos pensando em uma coisa mais radical, mas não posso falar para não estragar a surpresa”, disse ao Estado o monsenhor, título eclesiástico dado pelo papa a sacerdotes que se destacam nos serviços da Igreja. 

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“Tanto faz padre ou monsenhor”, disse. “O fato é que na última missa demos 1,5 mil comunhões”, afirmou o padre diocesano.

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Ele faz questão de dizer que não fez nada sozinho nem de improviso. “A ideia foi da equipe que ajuda a paróquia. Fazemos as celebrações da Rosa Mística há 30 anos e sempre gostamos de fazer uma entrada diferente nas missas.” 

O monsenhor conta que, quando jovem, praticava esportes, como salto a distância e salto em altura. Quando alguém sugeriu a tirolesa, o padre topou. “Conversamos com os bombeiros daqui e eles sugeriram pedir ajuda ao Bombeiros de Mogi-Guaçu, que têm experiência nisso. Eles vieram quatro semanas e, com a igreja fechada, montaram a estrutura. No domingo à noite, deixamos tudo pronto.” 

Com ajuda dos bombeiros, o padre usou a tirolesa nas três missas. “Descendo pela tirolesa com a imagem de 1,10 metro nas mãos, acho que passamos uma mensagem da confiança que temos em Nossa Senhora. Certamente, quem viu pensou: ‘se o padre de 70 anos tem essa confiança na Rosa Mística, nós também devemos confiar’”, disse. Toda a operação foi feita com a aprovação da Diocese de São João da Boa Vista, à qual sua paróquia é subordinada. 

Ferreira, que completou 45 anos de sacerdócio em 2017, é conhecido na região por missas animadas. O coroinha Matheus Di Stefani, que atua na paróquia, conta que não é a primeira vez que ele inova nas celebrações. Em anos anteriores, às vésperas do dia de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro, a imagem da padroeira do Brasil foi conduzida à igreja em um carro de corrida. 

“Neste ano, Nossa Senhora Aparecida veio em um barco com três pescadores, puxado por um carro, em uma referência aos 300 anos do encontro da imagem por pescadores no Rio Paraíba do Sul.” Para o coroinha, de 17 anos, a ideia da tirolesa foi muito boa e ajudou a divulgar a paróquia e a diocese.

A próxima surpresa do religioso deverá ser em janeiro. “Como a cúpula da nossa matriz tem 40 metros de altura, vamos fazer a descida da Rosa Mística de lá. Mas só ela, sem o padre”, conta o monsenhor. “Pular de paraquedas é fácil. Estamos pensando em algo mais radical, sempre com a proteção da Rosa Mística.”

Repercussão

A ousadia do monsenhor vira assunto nas ruas de Espírito Santo, de 43,7 mil habitantes. “Ele desceu segurando a imagem da Rosa Mística, que dizem ser muito pesada. Foi bonito, um ato de coragem, mas com certeza ele teve proteção divina”, afirmou a comerciante Luzia Damasio, frequentadora da igreja. 

Também comerciante, Alice Aliperti disse que o padre tem postura dinâmica, apesar da idade, e está em dia com as mudanças que a Igreja Católica tem promovido em seus ritos. “É um padre muito próximo dos fiéis e quer que eles participem mais da vida da igreja. Ele está conseguindo, pois suas missas são superlotadas e vem gente até de fora.”

 

Houve também críticas. “O tempo, o mores (Oh, tempos, oh, costumes, em latim)!”, publicou o teólogo Fernando Altemeyer Junior, do Rio Grande do Sul, em sua página no Facebook. Outros internautas citaram o padre paranaense Adelir de Carli, que decolou pendurado em mil balões de festa e depois desapareceu no mar, no litoral catarinense, em 2008.

As reações negativas desagradaram às duas irmãs do padre, que o aconselharam a evitar novas aventuras. Mas o monsenhor não aceitou a sugestão: disse que vai continuar a surpreender os fiéis.

Veja a repercussão no Twitter

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