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Os caçadores da história paulista

Edison Veiga - O Estado de S. Paulo

09 Julho 2014 | 03h 00

Colecionadores guardam fotos, cartas, documentos, medalhas e capacetes usados no movimento constitucionalista de 1932

SÃO PAULO - Para os colecionadores, qualquer objeto que remeta àqueles dias de “batalhas pela democracia” do movimento constitucionalista de 1932 tem espaço cativo em casa. Neto de revolucionários dos lados paterno e materno, o publicitário Ricardo Della Rosa, de 41 anos, tem cerca de 3 mil itens referentes ao movimento - só fotografias, são 900, mas há também cartas, documentos, distintivos, postais, pins, medalhas, capacetes.

Ricardo Della Rosa, de 41 anos, tem cerca de 3 mil itens referentes ao movimento
Ricardo Della Rosa, de 41 anos, tem cerca de 3 mil itens referentes ao movimento

Um de seus avós, Manoel Maia Neto, era sobrinho de Júlio Prestes. “Minha família toda se engajou na revolução. Então, desde a infância, essas histórias estavam presentes em casa, algo muito forte.”

Della Rosa diz que com “20 e poucos anos” começou a colecionar itens de guerra. “Aí minhas tias começaram a me presentear com itens de 1932, em geral de meus antepassados. Fui tomando gosto por guardar essas coisas”, relata. “Depois passei a adquirir itens que foram de outros combatentes.”

Em 2010, decidiu “abrir a coleção”. Criou um blog (www.tudoporsaopaulo.com.br) e ali posta histórias dos itens que tem em casa. Seu objeto favorito? “É algo muito simples, mas que tem valor grande para mim”, revela. “Trata-se de um cartão-postal que meu avô enviou para a minha avó, quando ele estava no front e ela morava na casa onde minha mãe nasceu, no bairro da Lapa.” Com base nos itens de sua coleção, o publicitário começou a produzir uma série de videodocumentários.

O empresário Raul Corrêa da Silva, de 59 anos, coleciona itens referentes à Revolução desde os 13 anos. Em sua casa, são mais de 60 livros sobre o movimento paulista, além de pautas de músicas da Revolução, revistas de época, artigos de jornais e uma escultura que homenageia o soldado constitucionalista paulista. “Guardo porque é importante preservar nossa memória, nossa história.”

Douglas Nascimento, de 39 anos, tem dezenas de objetos relacionados ao episódio
Douglas Nascimento, de 39 anos, tem dezenas de objetos relacionados ao episódio

Mais web. Outro colecionador é o jornalista e pesquisador Douglas Nascimento, de 39 anos. Em sua casa, há dezenas de objetos relacionados ao episódio histórico. Ele mantém o site São Paulo Antiga (www.saopauloantiga.com.br), e foi por causa da internet que a coleção começou. Nascimento tem capacete e até o ex-libris do Estado em alusão à revolução.