'Os atores devem chegar aos locais mais distantes'

Em 2012, a dama do teatro brasileiro se apresentou em 21 palcos da periferia com o espetáculo Viver Sem Tempos Mortos. A peça conta a trajetória da escritora, filósofa e ensaísta Simone de Beauvoir, a partir de textos da própria autora. O sucesso que Fernanda Montenegro experimentou nos mais tradicionais palcos do País se repetiu nos teatros dos CEUs, que, segundo a atriz, se equiparam em qualidade a qualquer outro.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

15 Julho 2012 | 03h07

Como é a experiência de se apresentar na periferia de SP?

Nós, atores, temos de chegar nesses lugares mais distantes e nos apresentarmos. É mais fácil para nós nos deslocarmos do que uma população sem poder aquisitivo, que está cansada e já passou horas em ônibus, metrôs e trens pela cidade. De uma coisa tenho certeza: não há quem passe por essa experiência que não saia tocado e não queira repetir a dose.

Como é a recepção do público?

Esse é um espetáculo que não corteja a plateia. A maioria das pessoas não sabe quem é Simone de Beauvoir. Nomes como o dela estão chegando aos ouvidos desses espectadores pela primeira vez. Mesmo assim, o público fica prestando atenção até o fim e aplaude violentamente. Mas eu sei que essas pessoas fizeram uma trajetória qualquer através desse pequeno apanhado da vida da Simone de Beauvoir, alguma coisa lhes toca ali, tenho certeza.

Qual a sua avaliação sobre os teatros dos CEUs?

São espaços cuidados, não têm poltronas rasgadas, a limpeza é exemplar, têm sabonete, papel higiênico... Parece bobagem a gente falar nisso, mas é fundamental, porque essas coisas são civilizatórias. É uma surpresa tão comovente você chegar e ter um espaço como esse para fazer um espetáculo... É uma descoberta nessa altura da minha vida! Chego até a achar que o Brasil vale a pena e a gente vai chegar lá.

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