Origem de TVs de presos do PCC ainda é mistério

Origem de TVs de presos do PCC ainda é mistério

/ JORNAL DA TARDE

Josmar Jozino, O Estadao de S.Paulo

03 Abril 2010 | 00h00

A encomenda chegou em 1.º de fevereiro de 2006, via Sedex, numa Kombi dos Correios. O endereço: Penitenciária Doutor Paulo Luciano de Campos, a P-1 de Avaré. Os destinatários: presos do Primeiro Comando da Capital (PCC). Eles receberam 26 TVs de 14 polegadas para assistir aos jogos da Copa do Mundo da Alemanha. Passados quatro anos, às vésperas do Mundial da África do Sul, ainda não se sabe quem foram os remetentes.

Dos 26 aparelhos, 18 foram postados em um lote na agência dos Correios da Rua Rio Grande do Sul, 2.122, em Avaré, e recebidos pelo funcionário Danilo Anselmo Fiorini. Os comprovantes de postagens estavam em nome de 18 mulheres, entre cônjuges e mães de detentos da P-1. Não foram apresentadas notas fiscais.

À época, o Ministério Público Estadual (MPE) soube da entrega dos aparelhos no presídio e determinou a abertura de inquérito policial para apurar se os televisores haviam sido roubados ou comprados com dinheiro do crime. Uma resolução da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) estabelece que o preso pode adquirir aparelho de TV com dinheiro de seu pecúlio ou de seus familiares.

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Avaré instaurou inquérito para apurar a procedência dos televisores. A SAP também abriu apuração para saber se funcionários violaram o regimento interno.

Até o dia 31, a Polícia Civil havia expedido 26 cartas precatórias, das quais 24 foram cumpridas, para ouvir os presos e outras nove para tomar as declarações das mulheres e mães dos detentos. Entre os presidiários, oito não responderam como receberam os aparelhos. Seis disseram não saber quem foram os remetentes. Cinco alegaram que ganharam os televisores da mãe ou da mulher. Outros cinco disseram que foram doações, mas não revelaram nomes.

Entre as cartas endereçadas às mulheres, quatro não chegaram às destinatárias por problemas com os endereços. Cinco mulheres foram ouvidas. Todas disseram que nunca postaram aparelho de TV na agência dos Correios de Avaré.

O delegado titular da DIG de Avaré, Rubens César Garcia Jorge, pretende expedir mais cartas precatórias.

A apuração da SAP concluiu que não houve irregularidade por parte de funcionários.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.